Vírus da catapora pode aumentar risco de demência na velhice, aponta estudo: o que se sabe, o que falta provar e como se proteger
- GUIA MIRAI

- 3 de dez. de 2025
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Por Guia Miraí
Um conjunto de pesquisas analisado por cientistas reacendeu um debate importante na saúde pública: a reativação do vírus varicella-zóster (VZV) — o mesmo que causa catapora na infância e, mais tarde, pode causar herpes-zóster (cobreiro) — parece estar associada a um risco maior de demência na velhice. A hipótese é que episódios de reativação do vírus possam desencadear inflamação, alterações vasculares e até efeitos indiretos no sistema nervoso, aumentando a vulnerabilidade do cérebro ao longo dos anos.
O tema ganhou atenção porque, além da associação, alguns trabalhos sugerem que vacinação contra herpes-zóster e, em certos contextos, tratamento antiviral podem estar ligados a redução do risco — o que, se confirmado, abriria espaço para estratégias preventivas mais fortes voltadas também à saúde cerebral.
Importante: associação não é prova de causa. Os estudos indicam relação estatística e levantam mecanismos possíveis, mas ainda há perguntas em aberto.
O VZV é um herpesvírus comum. Em geral:
• Primeira infecção → causa catapora (varicela), muito frequente na infância.
• Depois disso, o vírus não desaparece: ele fica “adormecido” (latente) em gânglios nervosos.
• Reativação anos depois → pode causar herpes-zóster, com dor e lesões na pele (às vezes com complicações como neuralgia pós-herpética).
A reativação é mais comum com:
• idade avançada,
• queda da imunidade (doenças crônicas, uso de imunossupressores),
• estresse fisiológico.
A ideia central é: pessoas com histórico de herpes-zóster parecem ter maior incidência de demência quando comparadas a pessoas sem esse histórico, em algumas análises populacionais.
Alguns achados frequentemente relatados nesse tipo de pesquisa:
• risco maior de demência entre quem teve herpes-zóster;
• risco mais alto quando há recorrência (múltiplas reativações), sugerindo possível efeito cumulativo;
• sinal de proteção em populações com maior cobertura de vacina contra zóster (dependendo do desenho do estudo);
• indícios de que antivirais em episódios de zóster podem estar associados a menor risco futuro (isso ainda é tema de debate).
Pesquisadores avaliam alguns caminhos plausíveis:
1) Inflamação crônica e “tempestades” inflamatórias repetidas
Reativações virais podem estimular respostas inflamatórias que, repetidas ao longo do tempo, afetariam a saúde cerebral.
2) Efeitos vasculares (microlesões e risco de AVC)
Há estudos relacionando herpes-zóster a aumento temporário de risco de eventos vasculares (como AVC). Se eventos vasculares se acumulam, podem contribuir para declínio cognitivo.
3) Envolvimento neurológico direto (em casos específicos)
Em algumas pessoas o VZV pode causar complicações neurológicas (raras), como meningite/encefalite. Mesmo sendo incomuns, reforçam a plausibilidade de interação com o sistema nervoso.
Esses mecanismos não são “sentença” — são linhas de investigação.
Para ler essa pauta com responsabilidade, vale destacar:
• Correlação não é causalidade: pessoas que tiveram zóster podem ter outras características associadas à demência (idade, comorbidades, imunidade).
• Viés de diagnóstico: quem teve zóster pode ter mais contato com serviços de saúde, aumentando a chance de diagnóstico de outras condições.
• Tipo de demência: muitos bancos de dados não distinguem bem Alzheimer, vascular, mista etc.
• Fatores socioeconômicos e de estilo de vida nem sempre são controlados perfeitamente.
O que resolveria melhor: estudos prospectivos (acompanhando pessoas ao longo do tempo) e análises com controle refinado de variáveis, além de investigações laboratoriais que conectem o VZV a marcadores cerebrais.
1) Vacina contra herpes-zóster
A vacinação é a principal ferramenta para reduzir ocorrência e gravidade do zóster — e, por consequência, pode reduzir complicações associadas. A recomendação depende de idade, país e disponibilidade no sistema público/privado.
Quem deve considerar com mais força (em geral): pessoas a partir de 50 anos (muitas diretrizes) ou grupos de risco — mas isso varia.
2) Tratar rapidamente episódios de herpes-zóster
Quando alguém desenvolve zóster, iniciar antiviral nas primeiras 72 horas costuma reduzir duração e complicações (isso é prática clínica comum). Se isso tem impacto em demência no longo prazo, ainda está em estudo, mas tratar cedo já é relevante pelos benefícios imediatos.
3) Cuidar dos fatores clássicos de risco para demência
Mesmo que a relação com VZV se confirme, os maiores “pesos” populacionais continuam sendo:
• controle de pressão, diabetes, colesterol;
• atividade física;
• sono;
• reduzir tabagismo e álcool;
• tratar depressão/isolamento social;
• estímulo cognitivo.
É importante buscar avaliação médica se houver sinais de herpes-zóster, como:
• dor/queimação localizada antes das lesões,
• bolhas em faixa em um lado do corpo,
• lesões perto dos olhos (urgência, por risco ocular),
• febre, confusão, dor intensa, imunossupressão.









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