UNHA DE GEL É PROIBIDA NA EUROPA E ANVISA REAVALIA A SEGURANÇA DO TPO NO BRASIL
- GUIA MIRAI

- 28 de set.
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Por Guia Miraí
Em meio a crescentes preocupações sobre os riscos à saúde associados ao uso de esmaltes para unhas em gel, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) iniciou uma reavaliação da segurança do TPO (Tri-fenil-fosfato), substância presente em muitos desses esmaltes, que foi recentemente proibida pela União Europeia. A proibição ocorreu devido a estudos que indicam os perigos desse composto, que, segundo especialistas, pode ser cancerígeno, mutagênico e tóxico para o sistema reprodutivo.
A União Europeia tomou a decisão de proibir o TPO após investigações científicas que apontaram que a substância representa sérios riscos à saúde humana. As conclusões indicaram que o composto químico poderia contribuir para o desenvolvimento de câncer, além de causar alterações genéticas e efeitos nocivos ao sistema reprodutivo. Agora, a Anvisa, seguindo uma tendência global de maior conscientização sobre os produtos de uso estético, está reavaliando os riscos do TPO presente nos esmaltes em gel vendidos no Brasil.
Essa reavaliação ocorre em um contexto em que, no Brasil, a popularidade da técnica de unhas em gel cresceu significativamente, sendo amplamente utilizada em salões de beleza. Porém, a utilização da substância também gerou debates intensos entre especialistas, que questionam a segurança do procedimento, especialmente em longo prazo.
O Que é o TPO e Quais os Seus Riscos?
O TPO atua como um fotoiniciador, ou seja, é um componente que ajuda no endurecimento do esmalte de unha exposto à luz ultravioleta (UV). O processo é realizado com a aplicação de uma lâmpada UV, que ativa a substância e faz o esmalte secar e endurecer rapidamente. Embora a exposição ao TPO seja considerada de baixo risco para quem realiza a aplicação esporadicamente, especialistas alertam para os profissionais da área que manipulam o produto com mais frequência, pois estes estariam mais suscetíveis a reações adversas devido à exposição contínua à substância.
Além dos riscos de câncer e mutação genética, o TPO também é associado a reações alérgicas e dermatites, condições que têm sido relatadas por algumas usuárias. Essas reações adversas podem incluir irritação na pele ao redor das unhas, coceira, vermelhidão e até lesões mais graves em casos mais intensos.
A Recomendação da Sociedade Brasileira de Dermatologia
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) se posicionou contra o uso indiscriminado da técnica de unhas em gel, destacando os riscos potenciais à saúde. De acordo com a entidade, o procedimento pode causar reações alérgicas severas e dermatites, além de lesões permanentes nas unhas. A recomendação é para que os consumidores considerem os riscos antes de realizar o procedimento e que optem por alternativas mais seguras sempre que possível.
O TPO, embora amplamente utilizado, não está presente em todos os esmaltes de unha em gel. No entanto, a falta de regulamentação rigorosa sobre os ingredientes usados no Brasil levanta preocupações sobre a segurança do produto no mercado.
Embora a Anvisa ainda permita o uso do TPO nos esmaltes de unha em gel, a situação está sendo monitorada com maior atenção devido ao debate crescente. No Brasil, os esmaltes em gel com TPO continuam a ser vendidos e utilizados, mas o tema precisa ser mais amplamente discutido, especialmente considerando a proximidade com os países do Mercosul, que frequentemente alinham suas políticas a diretrizes da União Europeia.
O Brasil pode, no futuro, ser pressionado a adotar medidas mais rigorosas, principalmente considerando que a segurança dos produtos cosméticos é cada vez mais uma questão global. A Anvisa, ao reavaliar a segurança do TPO, poderá exigir mudanças nas formulações desses produtos ou, em última instância, a proibição do uso da substância no país.
Com o crescente aumento da conscientização sobre os riscos à saúde e a pressão para adotar práticas mais seguras, empresas de cosméticos podem ser obrigadas a reformular seus produtos. O desafio é desenvolver alternativas que garantam a qualidade e durabilidade das unhas em gel sem comprometer a saúde dos consumidores. A mudança de formulação, no entanto, pode representar custos elevados para as indústrias, mas é uma necessidade crescente diante da pressão pública e regulamentar.
Além disso, especialistas ponderam que a exposição ao TPO, embora considerada baixa, pode ser um fator de risco cumulativo para as profissionais que manipulam esses produtos em ambientes de trabalho. Isso torna ainda mais urgente a necessidade de buscar alternativas mais seguras para os usuários e profissionais da área.
Profissionais da área de estética que realizam a aplicação de unhas em gel também devem estar cientes dos potenciais riscos associados ao uso do TPO e adotar medidas de proteção, como o uso de equipamentos de proteção adequados para evitar a exposição contínua à substância. O alerta é válido especialmente para aqueles que lidam com grandes volumes de clientes e que frequentemente utilizam esses produtos, aumentando as chances de reações adversas.
Enquanto o Brasil ainda permite o uso do TPO nos esmaltes de unha em gel, as preocupações sobre os efeitos à saúde são evidentes e exigem ação. A reavaliação da Anvisa é um passo importante para garantir que os produtos consumidos no país sejam seguros e que as informações sobre os riscos sejam amplamente divulgadas. Com o crescente movimento por produtos mais seguros e a pressão internacional por regulamentações mais rígidas, é provável que as empresas e os profissionais da estética precisem se adaptar a novas normativas para atender a uma demanda por mais transparência e segurança na utilização de produtos cosméticos.
O debate sobre a segurança do TPO coloca a saúde dos consumidores em primeiro plano, e uma mudança nas regulamentações pode ser essencial para preservar a integridade dos usuários e profissionais de estética no Brasil.









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