UMA MORTE A CADA 4 HORAS: DOENÇAS RESPIRATÓRIAS COLOCAM MINAS GERAIS EM ESTADO DE EMERGÊNCIAS
- GUIA MIRAI

- 1 de jul.
- 2 min de leitura
Internações por síndromes respiratórias crescem em BH e especialistas apontam baixa vacinação como fator agravante

Minas Gerais enfrenta um grave surto de doenças respiratórias. De janeiro até o dia 13 de junho, o estado registrou 948 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o que representa uma média alarmante de uma morte a cada quatro horas. A situação levou o estado a decretar emergência em saúde pública, com reflexos especialmente preocupantes na capital, Belo Horizonte.
A SRAG é um quadro clínico severo que pode ser causado por infecções como gripe (influenza), bronquiolite, pneumonia e covid-19, e provoca intensa dificuldade para respirar. Segundo o Painel de Vigilância Epidemiológica do Estado, as internações por essas complicações já ultrapassam 47 mil registros somente em 2025.
Aumento expressivo em Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, os hospitais observam uma tendência de alta contínua. O número de internações por doenças respiratórias aumentou 17% entre janeiro e a primeira quinzena de junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024. Foram 10.291 internações em 2025 contra 8.792 no ano anterior. Além disso, 257 pessoas com dificuldades respiratórias perderam a vida na capital neste período.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do boletim InfoGripe, incluiu BH entre as 17 capitais brasileiras com crescimento constante de casos de SRAG.
A subsecretária de Atenção à Saúde da capital, Raquel Felisardo, declarou que, embora o SUS se prepare anualmente para o aumento de casos no outono e inverno, a situação atual foge ao padrão, com demanda crescente por longos períodos.
Vacinação insuficiente preocupa especialistas
De acordo com o infectologista Unaí Tupinambás, um dos principais fatores para o agravamento do cenário é a baixa cobertura vacinal, especialmente entre os grupos de risco como crianças, idosos e pessoas com comorbidades. “Essas pessoas têm sistemas imunológicos mais frágeis, e a não vacinação os torna mais vulneráveis a infecções graves”, explica.
Tupinambás, que integrou o extinto Comitê de Enfrentamento à Pandemia da Prefeitura de BH, avalia que a resposta das autoridades e da própria população poderia ser mais efetiva. “Passamos por uma pandemia e deveríamos ter mantido alguns cuidados. A resposta atual, tanto em termos de prevenção quanto de estrutura hospitalar, poderia ser melhor”, pontua.
Recomendações para prevenção de doenças respiratórias
Diante do cenário, especialistas e autoridades de saúde reforçam medidas simples e eficazes para evitar a propagação das doenças:
• Higienizar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel 70%.
• Evitar tocar olhos, nariz e boca, que são vias de entrada de vírus.
• Usar máscara em locais fechados ou com grande circulação de pessoas, e ao apresentar sintomas.
• Manter a vacinação em dia, especialmente contra gripe e covid-19.
• Adotar etiqueta respiratória: cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar.
• Ventilar os ambientes, abrindo janelas sempre que possível.
• Evitar aglomerações e contato com pessoas doentes.
• Desinfetar superfícies de contato frequente, como celulares e maçanetas.
Com a chegada do inverno se aproximando em seu período mais rigoroso, as autoridades alertam que o número de casos e mortes pode continuar subindo. O reforço da vacinação e a adoção de medidas de prevenção são apontados como estratégias cruciais para evitar um colapso no sistema de saúde.
GUIA MIRAÍ









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