UM MINEIRO MORRE POR DOENÇA RESPIRATÓRIA A CADA 4 HORAS EM BELO HORIZONTE; INTERNAÇÕES SOBREM 17%
- GUIA MIRAI

- 17 de jun.
- 3 min de leitura
Vulnerabilidade dos grupos de risco e baixa cobertura vacinal agravam o cenário; Estado está em situação de emergência

Minas Gerais enfrenta um cenário preocupante de aumento de doenças respiratórias, com números alarmantes de mortes e internações. A cada quatro horas, uma pessoa perde a vida no estado devido a complicações respiratórias, e em Belo Horizonte, as internações subiram 17% entre janeiro e a primeira quinzena de junho de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O cenário alarmante em números:
* Mortes: A média de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais é de 7 por dia. Neste ano, já foram registradas mais de 494 mortes em todo o estado.
* Internações: Mais de 8.805 mineiros foram internados devido a complicações respiratórias em 2025. Em Belo Horizonte, foram 2.363 internações no mesmo período. A capital registrou 10.291 internações por doenças respiratórias entre janeiro e meados de junho, um aumento significativo de 17% em relação aos 8.792 casos do ano passado.
Vulnerabilidade e grupos de risco:
A crise afeta principalmente os grupos mais vulneráveis: crianças e idosos. Eles concentram a maioria das internações, com uma proporção significativa de casos graves. Bebês menores de um ano e pessoas com mais de 60 anos são os mais suscetíveis a complicações, como a SRAG, que pode levar a insuficiência respiratória e, em muitos casos, a óbito.
Baixa cobertura vacinal agrava a situação:
Um dos fatores cruciais que contribuem para o agravamento do cenário é a baixa cobertura vacinal contra a gripe e, em alguns casos, contra a COVID-19. Embora a vacinação seja fundamental para prevenir formas graves das doenças, a adesão da população tem sido insatisfatória. Em Minas Gerais, a cobertura vacinal contra a gripe está em cerca de 23,85%, muito abaixo da meta de 90% ou 95% estabelecida pelas autoridades de saúde. Em Belo Horizonte, a cobertura está em 74%, ainda aquém do ideal.
Situação de emergência e medidas adotadas:
Diante do quadro crítico, o Governo de Minas Gerais decretou situação de emergência em saúde pública no estado, com validade de 180 dias. Essa medida visa agilizar a adoção de ações administrativas e assistenciais, como a contratação de mais profissionais de saúde, a aquisição de insumos e a ampliação do número de leitos, especialmente em UTIs pediátricas.
Diversos municípios mineiros também declararam emergência, com o objetivo de fortalecer a capacidade de resposta na rede assistencial. A Prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, intensificou a campanha de vacinação contra a gripe, ampliando os pontos de atendimento para shoppings, estações de metrô e parques, além de oferecer atendimento remoto para casos menos graves.
Principais vírus em circulação:
Os vírus respiratórios que mais preocupam atualmente são o Vírus Respiratório Sincicial (VRS), que afeta principalmente bebês e crianças, e o Influenza A H1N1 e Sars-Cov-2 (COVID-19), que incidem mais em idosos. É importante ressaltar que a gripe tem se mostrado mais letal em alguns grupos de risco, superando, em certos casos, a taxa de mortalidade da COVID-19 em pacientes internados.
As autoridades de saúde reforçam a importância da prevenção e do cuidado, especialmente para os grupos de risco. As principais recomendações incluem:
- Vacinação: Manter as vacinas contra gripe e COVID-19 em dia, procurando os postos de saúde ou as ações de vacinação extramuros.
- Higiene das mãos: Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, ou usar álcool em gel 70%.
- Evitar tocar o rosto: Principalmente olhos, nariz e boca, que são portas de entrada para os vírus.
- Evitar aglomerações: Manter distância segura em locais públicos e evitar contato direto com pessoas doentes.
- Desinfecção de superfícies: Limpar objetos e áreas de contato frequente, como celulares, maçanetas e bancadas.
- Procurar atendimento médico: Em caso de sintomas graves como febre alta, dificuldade para respirar, coloração arroxeada nos lábios ou extremidades, tosse com catarro espesso, confusão mental, prostração ou saturação de oxigênio abaixo de 94%.
A colaboração da população é fundamental para conter o avanço das doenças respiratórias e aliviar a pressão sobre o sistema de saúde mineiro.
GUIA MIRAÍ









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