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SECA SEVERA LEVA 133 MUNICÍPIOS DE MINAS GERAIS A DECRETAR ESTADO DE EMERGÊNCIA

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • 2 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Por Guia Mirai


O estado de Minas Gerais enfrenta uma das piores secas dos últimos anos. A falta de chuvas forçou 133 municípios — mais de 15% das cidades mineiras — a decretarem estado de emergência, especialmente nas regiões semiáridas do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vale do Mucuri. A crise hídrica afeta diretamente cerca de 75 mil pessoas, que agora dependem do fornecimento de água realizado pelas prefeituras e pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec).


Chuvas escassas há seis meses


De acordo com registros meteorológicos, grande parte dessas regiões não recebe chuvas intensas há quase seis meses. O meteorologista Ruibran dos Reis prevê, contudo, que as condições podem começar a mudar: “As primeiras chuvas significativas devem ocorrer ainda nesta semana e tendem a se estender até o fim do ano, o que pode aliviar a situação em relação a 2024, quando a estação chuvosa começou apenas no final de novembro”, afirmou.


Mesmo com essa previsão, os impactos da estiagem já são severos. Agricultores enfrentam perdas expressivas em plantações e rebanhos, com o gado magro e morrendo devido à degradação das pastagens. Vários cursos d’água, incluindo o Rio Gorutuba, secaram completamente, comprometendo o abastecimento rural e urbano.


Rios secos e comunidades isoladas


A situação é crítica até mesmo em áreas próximas ao Rio São Francisco, tradicionalmente conhecidas por maior disponibilidade de água. No município de São Francisco, cerca de 18,5 mil pessoas em 200 comunidades rurais dependem exclusivamente de caminhões-pipa.


O superintendente da Defesa Civil municipal, Romenig Barbosa Martins, explica que “até famílias que vivem às margens do Rio São Francisco estão recebendo água por caminhões-pipa. Os córregos e afluentes que alimentavam essas localidades secaram totalmente”.


Comunidades como o Assentamento São Francisco e Travessão, situadas próximas ao rio, estão entre as mais afetadas. Segundo a Defesa Civil local, cinco caminhões-pipa estão em operação atualmente — número considerado insuficiente para atender toda a demanda. “Algumas comunidades mais distantes esperam até dois meses por uma recarga. Para garantir o abastecimento regular, precisaríamos de pelo menos 12 caminhões-pipa”, relatou Martins.


Crise compartilhada


O cenário se repete em outros municípios do Norte de Minas, como Pedras de Maria da Cruz, Bonito de Minas e Monte Azul, onde a população rural enfrenta as mesmas dificuldades. A escassez de água impacta diretamente a produção agrícola e o sustento de milhares de famílias, aumentando a vulnerabilidade social na região.


A Defesa Civil Estadual monitora a situação e promete reforçar o apoio logístico aos municípios mais atingidos, mas alerta que o retorno das chuvas é essencial para a recuperação dos lençóis freáticos e o reabastecimento dos rios.


Enquanto isso, as prefeituras adotam medidas emergenciais, como o racionamento e o reforço na perfuração de poços artesianos — soluções que, embora paliativas, buscam garantir o mínimo de abastecimento para a população.

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