Programa Desenrola não atinge metas e Brasil bate recorde de endividados
- GUIA MIRAI

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Por Guia Miraí
O Brasil alcançou um novo recorde de inadimplência em 2024, com cerca de 81,7 milhões de pessoas com contas em atraso, evidenciando o agravamento da situação financeira das famílias. O aumento ocorre após o encerramento do programa Desenrola Brasil, iniciativa do governo federal voltada à renegociação de dívidas.
Segundo dados recentes, o país registrou a entrada de aproximadamente 9 milhões de novos inadimplentes após o fim do programa, em maio de 2024, atingindo o pior índice desde 2012.
A taxa de inadimplência no cartão de crédito — principal modalidade de dívida no país — chegou a 5,24%, o maior nível dos últimos 14 anos. O dado reforça a pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente em um cenário de juros elevados e fácil acesso ao crédito.
O cartão de crédito lidera o ranking das dívidas, representando 26,7% do total. Em seguida, aparecem contas básicas, como energia e água, responsáveis por 21,3% das pendências.
Esse cenário coloca os bancos como os principais credores, ampliando o impacto do endividamento no sistema financeiro.
Criado para ajudar brasileiros a regularizarem suas dívidas, o Desenrola Brasil durou cerca de dez meses e atendeu aproximadamente 15 milhões de pessoas — número bem abaixo da meta inicial de 30 milhões.
Durante sua execução, o programa possibilitou a renegociação de cerca de R$ 53,2 bilhões em dívidas, o equivalente a apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que especialistas consideram insuficiente para gerar um impacto estrutural na economia.
Analistas apontam que o programa teve efeito limitado por atacar apenas os sintomas do endividamento, sem resolver causas mais profundas, como renda baixa, crédito caro e falta de educação financeira.
Um dos principais entraves enfrentados pelo Desenrola foi o acesso à plataforma digital. Para participar, os usuários precisavam ter conta nível prata ou ouro no portal Gov.br.
Essa exigência dificultou a adesão da população mais pobre — justamente o público-alvo do programa — gerando críticas sobre a burocracia digital e a exclusão de milhões de brasileiros sem acesso facilitado à tecnologia.
Especialistas também destacam fatores externos que contribuíram para o aumento das dívidas:
• Crescimento das apostas online (“bets”);
• Taxas de juros ainda elevadas;
• Expansão do crédito sem controle adequado.
Esses elementos, combinados, impulsionaram o retorno da inadimplência mesmo após a renegociação promovida pelo programa.
Diante do cenário preocupante, o Ministério da Fazenda estuda lançar uma nova versão do Desenrola, com foco em dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
A proposta em análise prevê descontos de até 80% nas dívidas, na tentativa de aliviar a situação dos brasileiros endividados e reaquecer o consumo.







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