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MAIS DE 100 ADOLESCENTES E CRIANÇAS SÃO RESGATADOS DE TRABALHO INFANTIL EM FÁBRICA DE CALÇADOS EM MINAS GERAIS

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • 30 de set.
  • 3 min de leitura
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Por Guia Miraí


Uma operação realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelou um cenário alarmante nas fábricas de calçados de Nova Serrana e Perdigão, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Durante a ação, entre os dias 22 e 26 de setembro, foram resgatados 107 adolescentes em situação de trabalho infantil, incluindo uma criança de apenas 11 anos.


A fiscalização atingiu um total de 68 estabelecimentos, dos quais 65 estavam utilizando mão de obra infantil de forma ilegal, prática expressamente proibida por lei. As empresas, cujos nomes não foram divulgados, foram autuadas pela fiscalização. Essa operação demonstra a gravidade da exploração de menores de idade em atividades prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento deles.


De acordo com informações fornecidas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, a operação encontrou uma criança de 11 anos, dois adolescentes de 13 anos e outros 104 menores de idade, com idades entre 14 e 17 anos, trabalhando em condições insalubres. Entre as atividades mais perigosas e prejudiciais à saúde, os adolescentes estavam expostos ao manuseio de produtos químicos, como colas com solventes tóxicos, e operando máquinas pesadas, sem qualquer tipo de proteção adequada.


Além disso, a operação revelou que muitas dessas crianças e adolescentes estavam expostas a níveis de ruído extremamente altos, comprometendo a saúde auditiva e geral dos menores. A situação é ainda mais grave, pois esses adolescentes estão em fase de desenvolvimento físico e mental, tornando-os ainda mais vulneráveis aos riscos de saúde causados pelo ambiente de trabalho.


Entre os jovens encontrados em situação de trabalho infantil, 98 estavam envolvidos em atividades diretamente associadas a riscos à saúde, como o manuseio de substâncias tóxicas, operações de máquinas e exposição a ruídos elevados. Outros nove adolescentes estavam em atividades que, de acordo com a legislação trabalhista, são consideradas inapropriadas para qualquer faixa etária, incluindo a separação de peças de calçados em ambientes saturados de vapores químicos prejudiciais à saúde.


Um dos casos mais chocantes foi o de uma menina de 11 anos, flagrada separando peças de calçados em um ambiente cheio de vapores tóxicos. O trabalho no local representava não apenas uma violação dos direitos trabalhistas, mas também um risco imediato à saúde da criança, que estava exposta a substâncias nocivas em uma fase crucial de seu desenvolvimento.


Paula Neves, coordenadora do Grupo Especial Móvel de Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE, comentou sobre a gravidade da situação. Ela destacou a alta incidência de adolescentes em condições de trabalho extremamente prejudiciais. “Nós identificamos uma incidência muito grande de adolescentes submetidos às piores formas de trabalho infantil. Esperávamos um número elevado, mas não na proporção que encontramos. Eram crianças em condições que comprometem a saúde, especialmente considerando que ainda estão em fase de desenvolvimento”, afirmou Neves.


A operação demonstra que a fiscalização do trabalho infantil no estado de Minas Gerais continua sendo um desafio, e a luta contra a exploração de menores de idade é uma prioridade das autoridades responsáveis. O resgate de mais de 100 adolescentes é um passo importante, mas as autoridades afirmam que é necessário intensificar o combate à exploração infantil e conscientizar a sociedade sobre os direitos dos menores.


A presença de trabalho infantil nas fábricas de calçados de Nova Serrana e Perdigão também levanta a questão das condições de vida e do desenvolvimento das crianças nas comunidades locais. Muitas dessas crianças são originárias de famílias de baixo poder aquisitivo, o que leva muitos pais a permitirem que seus filhos trabalhem para complementar a renda familiar. No entanto, é importante ressaltar que o trabalho infantil não só compromete a saúde e o futuro das crianças, mas também perpetua um ciclo de pobreza e exploração.


A ação do MTE busca garantir que esses menores de idade não apenas sejam retirados de situações de trabalho ilegal, mas que também tenham acesso à educação e a oportunidades de desenvolvimento em um ambiente seguro e saudável. O enfrentamento do trabalho infantil exige a colaboração de toda a sociedade, para que as crianças possam viver de maneira digna, protegidas de situações de risco e violência.


Este resgate em massa de adolescentes em fábricas de calçados em Minas Gerais reflete a persistência do trabalho infantil no estado e a importância de ações fiscalizadoras. A operação deixa claro que, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito para erradicar essa prática. A fiscalização intensificada, aliada ao apoio de políticas públicas e da conscientização social, é fundamental para combater essa grave violação dos direitos humanos e garantir um futuro mais digno e seguro para as crianças e adolescentes brasileiros.


O MTE segue monitorando as condições de trabalho em Minas Gerais e em outras regiões do país, na busca por erradicar a exploração infantil e assegurar que todos os menores possam crescer em ambientes livres de trabalho forçado.

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