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Governo anuncia “fim da fila” do INSS, mas 235 mil pedidos ainda aguardam há mais de 45 dias

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

Por Guia Miraí


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (3) que a fila de atendimento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi zerada. O anúncio, porém, ocorre em meio a uma mudança na forma de contabilizar a fila: 235 mil pedidos ainda aguardam uma resposta há mais de 45 dias, prazo que vinha sendo utilizado como referência para identificar processos atrasados.


Novo critério considera o fluxo de novos pedidos


Segundo o Ministério da Previdência, o INSS encerrou agosto com aproximadamente 1,252 milhão de requerimentos pendentes, enquanto recebeu 1,394 milhão de novos pedidos durante o mês.


Com o estoque de processos abaixo do número de solicitações que entram mensalmente no sistema, o governo passou a considerar que a autarquia tem capacidade para absorver a demanda e, por isso, fala em “atendimento sem fila”.


O Ministério da Previdência, por sua vez, contesta a ideia de que tenha simplesmente mudado o conceito de fila e afirma que o indicador utilizado demonstra a capacidade de processamento do instituto.


Ainda existem pedidos esperando há mais de 45 dias


Apesar do anúncio, 235 mil requerimentos continuam sem resposta há mais de 45 dias, segundo os dados apresentados nesta quinta-feira.


A situação representa uma forte redução em relação ao início do ano. Em janeiro, havia cerca de 1,882 milhão de pedidos nessa condição. A queda chega a aproximadamente 87%.


Além disso, parte dos processos atualmente pendentes é recente ou depende de alguma providência do próprio segurado, como o envio de documentos.


Estoque chegou a mais de 3 milhões


O problema da fila do INSS atingiu um dos seus maiores níveis em 2026. Em janeiro, o estoque total chegou a aproximadamente 3,073 milhões de requerimentos.


Desde então, o número caiu significativamente, chegando a cerca de 1,25 milhão de processos no fim de agosto.


O tempo médio de espera também diminuiu. Segundo o governo, atualmente está em torno de 34 dias, abaixo do prazo de 45 dias utilizado como referência para o atendimento.


Governo atribui redução a novas medidas


O Ministério da Previdência atribui a melhora a uma combinação de medidas, incluindo novos servidores, perícia médica documental, telemedicina, mutirões e pagamento de bônus por produtividade.


O INSS também ampliou mecanismos de automação para acelerar a análise dos benefícios. Atualmente, a autarquia recebe cerca de 1,3 milhão de novos requerimentos por mês, o que exige manter um ritmo elevado de processamento para evitar que o estoque volte a crescer.


Anúncio gera debate


A mudança na metodologia provocou questionamentos porque, embora o governo declare que a fila foi zerada, mais de 1,2 milhão de pedidos ainda estão em análise e centenas de milhares permanecem além do prazo de 45 dias.


A diferença está na definição utilizada: o governo passou a considerar que não há “fila” quando a capacidade mensal de análise é suficiente para acompanhar a entrada de novos pedidos. Já o critério anterior dava maior destaque aos processos que ultrapassavam 45 dias sem decisão.

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