Digimais - Banco de Edir Macedo: Auditoria Aponta Risco de Rombo em Transação de R$ 741 Milhões
- GUIA MIRAI

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Por Guia Miraí
Uma auditoria independente identificou graves irregularidades em uma operação financeira de R$ 741 milhões realizada pelo Banco Digimais. O caso ganhou ainda mais repercussão após a Polícia Federal deflagrar, nesta terça-feira (23), uma operação com nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados à instituição.
O principal acionista do banco é o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Embora não tenha sido alvo direto dos mandados de prisão — por residir no exterior —, ele teve sigilo quebrado e bens bloqueados pela Justiça. Ao todo, mais de R$ 670 milhões foram bloqueados em contas de dez investigados.
De acordo com a auditoria, publicada junto ao balanço da controladora B.A. Empreendimentos e Participações S.A., os ativos da empresa saltaram de R$ 785 milhões em 2024 para cerca de R$ 1,8 bilhão em 2025. O forte crescimento foi impulsionado principalmente pela compra, pela controladora, de cotas do fundo Hermon FIDC-NP que pertenciam ao Digimais.
Os auditores foram claros: a transação não reflete condições usuais de mercado. Não há remuneração adequada, e o pagamento depende de aportes dos próprios controladores. Para os profissionais, isso indica que os ativos foram inflados artificialmente.
A apuração da Polícia Federal reforça as conclusões da auditoria. Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que as mesmas cotas haviam custado apenas R$ 71 milhões ao próprio Banco Digimais. O ativo está relacionado a créditos judiciais de um antigo processo de 1967 contra a União, envolvendo direitos da extinta Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia (atual Vale S.A.).
A operação teria sido usada ainda para burlar determinação do Banco Central, que exigia a correção da valorização artificial desses ativos. Ao transferir as cotas para a controladora, o banco manteve o valor fictício em seu balanço, classificado como “valores a receber do controlador”.
O que Diz a Investigação
A manobra permitiu que o Digimais apresentasse uma situação patrimonial mais sólida do que a realidade, gerando suspeitas de fraude contábil e possível prejuízo a clientes e investidores.
Até o momento, nem o Banco Digimais nem a Igreja Universal se manifestaram publicamente sobre o caso. A Polícia Federal e o Banco Central devem divulgar mais informações sobre o andamento das investigações nos próximos dias.







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