Desenrola 3.0: governo anuncia compra de até R$ 150 bilhões em dívidas de famílias


Programa prevê uso de até R$ 15 bilhões e será voltado a débitos de até R$ 10 mil com atraso entre dois e quatro anos e meio
Por Guia Miraí
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) uma nova etapa do programa Desenrola Brasil, batizada de Desenrola 3.0. A proposta prevê que a União compre carteiras de dívidas de famílias brasileiras que estão inadimplentes, com o objetivo de reestruturar os débitos e reduzir o peso das dívidas sobre o orçamento doméstico.
De acordo com o governo, poderão ser alcançados até R$ 150 bilhões em dívidas, enquanto o custo estimado da operação para a União é de aproximadamente R$ 15 bilhões. A diferença seria possível por meio de descontos elevados na aquisição das carteiras de crédito junto às instituições financeiras.
Quem poderá entrar no programa?
A nova etapa será destinada a pessoas físicas com dívidas que atendam aos critérios estabelecidos pelo programa.
Entre os débitos previstos estão:
* dívidas de cartão de crédito rotativo ou parcelado;
* crédito pessoal sem consignação em folha;
* dívidas com valor original de até R$ 10 mil;
* débitos em atraso há pelo menos dois anos e no máximo quatro anos e meio.
Segundo as estimativas apresentadas pelo governo, existe um estoque de aproximadamente R$ 300 bilhões em dívidas que se enquadrariam nas regras. A intenção é alcançar cerca de metade desse montante, chegando aos R$ 150 bilhões.
Como vai funcionar?
O modelo será diferente das primeiras versões do Desenrola.
Em vez de o consumidor procurar diretamente o banco para negociar a dívida, a proposta prevê que a União compre as carteiras de créditos inadimplidos das instituições financeiras.
A aquisição deverá ocorrer por meio de leilões, nos quais os bancos e demais instituições apresentarão as condições para vender suas carteiras de dívidas. O governo espera obter um deságio mínimo de 90% sobre o valor dos créditos adquiridos.
Na prática, considerando a estimativa de 90% de desconto, uma carteira com valor de R$ 10 bilhões poderia ser adquirida por aproximadamente R$ 1 bilhão. O desconto obtido na compra deverá ser repassado às famílias beneficiadas.
Quando começam os leilões?
A previsão apresentada pelo governo é realizar o primeiro leilão para aquisição das carteiras de crédito em novembro de 2026.
A operação poderá ser conduzida pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira federal.
As regras detalhadas, incluindo a forma de adesão dos consumidores, condições de pagamento e procedimentos para consulta das dívidas elegíveis, ainda dependem da regulamentação.
O que o programa pretende alcançar?
O objetivo declarado pelo governo é reduzir o comprometimento da renda das famílias e permitir a reorganização financeira de pessoas que permanecem inadimplentes há vários anos.
A nova estratégia também muda a forma de atuação do governo em relação às versões anteriores do programa: a União passa a atuar diretamente na aquisição dos créditos considerados de difícil recuperação, enquanto os descontos obtidos na compra são utilizados para facilitar a regularização dos débitos.
Consumidor ainda precisa esperar as regras
Apesar do anúncio, quem possui uma dívida não deve fazer nenhum pagamento a terceiros para supostamente “entrar” no Desenrola 3.0.
Será necessário aguardar a regulamentação e a divulgação dos canais oficiais para saber quais dívidas serão efetivamente incluídas, quando a negociação estará disponível e quais serão as condições oferecidas a cada consumidor.
O programa anunciado nesta sexta-feira representa uma nova tentativa de enfrentar o elevado estoque de inadimplência das famílias brasileiras, com uma estrutura diferente das etapas anteriores do Desenrola.
A previsão é que as primeiras operações ocorram em novembro, após a realização dos leilões das carteiras de crédito.







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