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Proibição das bets ameaça patrocínios de clubes da Série A e pode mexer com o futebol brasileiro

Foto do escritor: GUIA MIRAI
GUIA MIRAI
há 9 horas
3 min de leitura

Medida Provisória assinada pelo governo nesta sexta-feira (25) prevê o fim das apostas de quota fixa no país; pelo menos 14 clubes da elite têm casas de apostas como patrocinadoras principais


Por Guia Miraí


A decisão do governo federal de proibir a operação das chamadas bets no Brasil abriu uma nova frente de discussão no futebol brasileiro: o impacto sobre os contratos de patrocínio firmados entre clubes e empresas de apostas.


A Medida Provisória assinada nesta sexta-feira (25) determina o encerramento da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa e jogos on-line no país. Segundo o cronograma divulgado, as plataformas deverão deixar de operar em outubro.


Bets ocupam espaço importante nas camisas


O setor de apostas se tornou uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro nos últimos anos. Levantamentos divulgados nesta sexta-feira apontam que 14 dos 20 clubes da Série A possuem atualmente uma empresa de apostas como patrocinadora principal.


Entre os clubes citados estão:


* Flamengo — Betano

* Palmeiras — Sportingbet

* Vasco — Sportingbet

* Santos — Novibet

* São Paulo — Superbet

* Fluminense — Superbet

* Atlético-MG — H2Bet

* Cruzeiro — Betnacional

* Corinthians — Esportes da Sorte

* Botafogo — VBet

* Grêmio — Pitaco

* Vitória — 7K

* Remo — VaideBet

* Chapecoense — ZeroUm


O levantamento pode variar conforme o critério utilizado — patrocínio máster ou outras propriedades comerciais. Um levantamento publicado pelo Futebol Interior, por exemplo, contabiliza 15 clubes da Série A quando também são considerados acordos secundários.


Mais de R$ 1 bilhão em patrocínios


O tamanho da relação entre as duas atividades ajuda a explicar a preocupação dos clubes.


Segundo dados citados pela CNN Brasil, as empresas de apostas investiram aproximadamente R$ 1,14 bilhão em patrocínios aos clubes brasileiros em 2025, valor equivalente a cerca de 7,9% das receitas totais dos clubes da Série A.


Além dos patrocínios nas camisas, as bets também estão presentes em placas de publicidade, conteúdos digitais, transmissões e outros espaços comerciais ligados ao futebol.


Contratos podem ser afetados


Antes mesmo da assinatura da MP, empresas do setor já haviam comunicado clubes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos caso a proibição total fosse confirmada. Algumas equipes também começaram a procurar alternativas no mercado publicitário.


O impacto não será necessariamente igual para todos os clubes. O peso dos contratos de apostas no orçamento varia de uma equipe para outra, assim como os valores e prazos de cada acordo.


No Flamengo, por exemplo, o contrato com a Betano é apontado como um dos maiores do futebol brasileiro. Corinthians, São Paulo e Palmeiras também possuem contratos de valores elevados com empresas do setor.


Clubes já haviam se manifestado


Dias antes da decisão, clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo, além do Sindicato dos Atletas e da Fenapaf, divulgaram um comunicado defendendo a manutenção do mercado regulado.


As entidades argumentaram que uma mudança abrupta poderia afetar contratos, planejamento financeiro, centros de treinamento, projetos sociais e outras estruturas mantidas pelos clubes.


Ao mesmo tempo, o governo sustenta que a medida busca enfrentar os problemas associados às apostas e aos jogos on-line, incluindo questões relacionadas ao endividamento e à proteção dos consumidores.


O que acontece agora?


A Medida Provisória entra em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Uma MP tem vigência inicial de 60 dias, prorrogável por mais 60, caso não seja votada dentro do primeiro período.


Enquanto isso, clubes e empresas terão de avaliar os efeitos da nova regra sobre contratos que já estavam em vigor.


A discussão agora vai além das apostas: envolve bilhões de reais em contratos comerciais, receitas dos clubes, empregos no setor esportivo e o futuro da publicidade ligada às bets no futebol brasileiro.


A principal questão para os clubes será encontrar novas fontes de receita caso os contratos com as empresas de apostas sejam efetivamente encerrados.

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