Cientistas estudam formas de “bloquear o Sol” para resfriar a Terra, mas riscos preocupam especialistas
- GUIA MIRAI

- 30 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por Guia Miraí
(Informações de Portal R7)
Diante do avanço do aquecimento global e da intensificação de eventos extremos, como ondas de calor, secas e tempestades severas, cientistas de diferentes países avaliam alternativas emergenciais para tentar conter o aumento da temperatura média do planeta. Entre elas, ganha destaque a chamada Modificação da Radiação Solar (SRM, na sigla em inglês) — técnica popularmente descrita como a tentativa de “bloquear o Sol”.
A proposta consiste em refletir parte da luz solar de volta ao espaço, reduzindo a quantidade de energia que atinge a superfície terrestre e, consequentemente, ajudando a resfriar o planeta. Apesar do potencial teórico, especialistas alertam que os riscos ambientais, climáticos e geopolíticos associados a essas técnicas ainda são altos.
Principais técnicas em estudo
Atualmente, duas abordagens concentram maior atenção da comunidade científica:
• Injeção de Aerossóis Estratosféricos (SAI): consiste na liberação de partículas refletoras, como sulfatos, na estratosfera. A ideia se inspira em grandes erupções vulcânicas, que historicamente causaram quedas temporárias na temperatura global ao lançar partículas na atmosfera.
• Clareamento de Nuvens Marinhas (MCB): técnica que busca aumentar a refletividade das nuvens sobre os oceanos, pulverizando partículas de sal marinho para torná-las mais brilhantes e capazes de refletir mais radiação solar.
Entre as duas, a SAI é considerada a mais viável do ponto de vista técnico, pois seus efeitos são relativamente bem compreendidos a partir de eventos naturais passados. Ainda assim, nenhum desses métodos foi testado em larga escala.
Benefícios limitados e riscos elevados
Embora estudos indiquem que a SRM poderia reduzir rapidamente a temperatura média global, especialistas reforçam que a técnica não ataca a causa do problema, que é o excesso de gases de efeito estufa na atmosfera. Em outras palavras, funcionaria como uma “máscara temporária” para o aquecimento global.
Além disso, os riscos são significativos. Modelos climáticos apontam que a aplicação dessas técnicas pode provocar:
• Alterações nos padrões de chuva, afetando regiões agrícolas
• Mudanças imprevisíveis no clima regional
• Possíveis impactos sobre a camada de ozônio
• Dependência contínua da tecnologia, já que a interrupção abrupta poderia causar aquecimento acelerado
Outro ponto de preocupação é a governança global. Não há consenso sobre quem teria autoridade para implementar uma tecnologia com impactos planetários, nem como lidar com possíveis efeitos negativos em países que não participaram da decisão.
Consenso científico: reduzir emissões é prioridade
Apesar do interesse crescente nessas soluções, o consenso entre cientistas é claro: a modificação da radiação solar não substitui a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Medidas como transição para energias renováveis, preservação de florestas e mudanças nos padrões de consumo seguem sendo essenciais.
A SRM, segundo especialistas, só poderia ser considerada — se algum dia for aplicada — como uma estratégia complementar e temporária, usada em cenários extremos e sob rigoroso controle internacional.
Enquanto o planeta continua aquecendo, o debate sobre “bloquear o Sol” evidencia a gravidade da crise climática e o quanto a humanidade se aproxima de soluções cada vez mais complexas e controversas para lidar com um problema criado por décadas de degradação ambiental.









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