Casos de fungo raro que pode causar abscessos no cérebro aumentam nos Estados Unidos


Levantamento divulgado pelo CDC identificou aumento de aproximadamente quatro vezes nas detecções de Cladophialophora bantiana entre 2023 e 2025. Cientistas investigam as razões do crescimento e alertam para a gravidade da infecção.
Por Guia Miraí
(Fonte: CDC — Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos)
Um fungo raro associado a infecções graves no cérebro está preocupando pesquisadores nos Estados Unidos. Trata-se do Cladophialophora bantiana, um tipo de bolor capaz de atingir o sistema nervoso central e provocar abscessos cerebrais, quadros que podem ser fatais.
Em relatório publicado em outubro de 2026, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) informou que as detecções desse fungo em um laboratório de referência aumentaram aproximadamente quatro vezes entre 2023 e 2025. Os pesquisadores ressaltam, porém, que ainda não sabem explicar a causa desse crescimento.
O que os números revelam?
O levantamento analisou amostras examinadas por um laboratório de referência da Universidade de Washington entre janeiro de 2009 e julho de 2026.
Nesse período, foram identificados 48 casos confirmados e um provável caso. O número anual de detecções passou de uma a cinco ocorrências entre 2009 e 2023 para oito em 2024 e 14 em 2025.
A maioria das amostras positivas veio do sistema nervoso central. Os pesquisadores também identificaram ocorrências em amostras pulmonares.
O CDC ressalta que os dados são provenientes de um único laboratório de referência e não representam necessariamente o total de infecções existentes nos Estados Unidos.
Como o fungo pode atingir o cérebro?
Acredita-se que a infecção possa começar pela inalação de esporos presentes no ambiente ou pela entrada do fungo através de uma lesão na pele. Depois, ele pode se disseminar pelo organismo e alcançar o cérebro.
A infecção pode provocar a formação de abscessos, que são acúmulos de pus nos tecidos. O diagnóstico pode ser complexo e exige avaliação médica e exames específicos.
Segundo o CDC, aproximadamente metade dos pacientes descritos em estudos anteriores não apresentava uma condição prévia conhecida de comprometimento do sistema imunológico. Isso demonstra que a doença não está restrita exclusivamente a pessoas imunossuprimidas.
Infecção é grave e pode ser fatal
O relatório aponta que a infecção por Cladophialophora bantiana está associada a uma taxa de mortalidade estimada entre 60% e 70%, mesmo com tratamento intensivo.
Apesar da gravidade, trata-se de uma infecção rara. O aumento das detecções não significa que exista uma epidemia generalizada, nem que o fungo esteja se espalhando diretamente entre as pessoas.
Os pesquisadores afirmam que ainda são necessárias mais investigações para compreender os fatores de risco, as possíveis formas de exposição e as razões para o aumento observado.
Existe risco para o Brasil?
O relatório divulgado pelo CDC trata de detecções realizadas nos Estados Unidos. Os dados apresentados não comprovam aumento de casos no Brasil nem indicam a existência de um surto no país.
A principal recomendação é que profissionais de saúde considerem esse fungo entre as possíveis causas de abscessos cerebrais, especialmente quando os exames iniciais não esclarecem a origem da infecção.
O alerta dos cientistas é para a gravidade da doença e a necessidade de ampliar a vigilância e as pesquisas, e não para um risco de contágio generalizado na população.







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