BRASILEIRA É DESTITUÍDA DO CARGO DE ABADESSA NA ITÁLIA APÓS DENÚNCIAS ANÔNIMAS; CASO GERA POLÊMICA
- GUIA MIRAI

- 13 de mai.
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Aline Pereira Ghammachi, religiosa brasileira que liderava o Mosteiro San Giacomo di Veglia, foi oficialmente destituída do cargo de madre-abadessa. A decisão, tomada após uma série de denúncias anônimas enviadas ao Vaticano, provocou um verdadeiro abalo na comunidade religiosa próxima a Veneza, culminando na saída de 11 freiras solidárias à ex-superiora.
Aline, que havia sido nomeada abadessa em fevereiro de 2018, aos 33 anos, tornou-se à época a mais jovem a ocupar essa posição na Itália. Sua liderança, inicialmente considerada promissora, passou a ser alvo de questionamentos a partir de 2023, quando o Vaticano recebeu uma carta anônima relatando supostos abusos e irregularidades em sua gestão.
Entre as acusações estavam maus-tratos e manipulação emocional das irmãs sob sua responsabilidade, além de suposta ocultação de dados financeiros do mosteiro. O Vaticano respondeu com uma auditoria e enviou uma visitadora apostólica ao local. A primeira inspeção, ainda em 2023, recomendou o arquivamento do caso, mas o processo foi reaberto meses depois, levantando suspeitas por parte da brasileira.
“Disseram que eu destratava e manipulava as irmãs”, declarou Aline, negando as acusações. Para ela, a reabertura do caso pode ter sido influenciada por frei Mauro Giuseppe Lepori, abade-chefe da Ordem Cisterciense, à qual o mosteiro pertence. Segundo Aline, Lepori teria feito comentários depreciativos e machistas durante sua convivência profissional com ela. “Ele dizia que eu era bonita demais para ser abadessa, ou mesmo para ser freira. Falava em tom de piada, rindo, mas me expôs ao ridículo”, afirmou.
Em 2024, uma nova representante do Vaticano foi enviada ao mosteiro para avaliar a situação. De acordo com Aline, a avaliação foi superficial e precipitada. “Ela não fez nenhum teste conosco, não fez absolutamente nada, apenas teve uma conversa. E chegou à conclusão de que eu era uma pessoa desequilibrada e que as irmãs tinham medo de mim.”
A decisão de sua destituição foi acompanhada pela saída voluntária de 11 religiosas, que deixaram o mosteiro em solidariedade à ex-abadessa. Com isso, a comunidade perdeu quase metade de suas integrantes.
O Vaticano ainda não se pronunciou oficialmente sobre o desfecho do caso. Aline Pereira Ghammachi, por sua vez, afirma que pretende continuar sua vida religiosa fora da comunidade onde atuava e espera que as acusações infundadas sejam reavaliadas futuramente.
GUIA MIRAI









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