Alerta no setor de combustíveis: estoque de diesel no Brasil pode durar apenas 15 dias
- GUIA MIRAI

- há 35 minutos
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Por Guia Miraí
O setor de combustíveis no Brasil entrou em estado de alerta após a divulgação de informações indicando que os estoques atuais de diesel no país seriam suficientes para abastecer o mercado por apenas cerca de 15 dias. O dado foi apontado pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que acompanha de perto a dinâmica de importação e distribuição de derivados de petróleo no país.
Segundo a entidade, o cenário é resultado principalmente da paralisação das importações de diesel por parte de empresas privadas. Atualmente, cerca de 25% a 30% do consumo nacional do combustível depende de importações, o que torna o país sensível a variações de preços no mercado internacional.
De acordo com a Abicom, a interrupção das compras externas foi motivada por uma defasagem significativa entre os preços praticados pela Petrobras e os valores do diesel no mercado internacional, que em alguns momentos chegou a alcançar cerca de 85% de diferença. Essa disparidade foi intensificada pela recente alta do petróleo no mercado global, que ultrapassou a marca de US$ 100 por barril, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Entidades ligadas ao agronegócio já demonstram preocupação com a situação. Organizações como a Aprosoja Brasil alertam que um eventual problema de abastecimento poderia afetar diretamente regiões produtoras, especialmente no Sul e no Nordeste, justamente em períodos críticos de colheita e plantio.
O diesel é considerado um combustível estratégico para a economia brasileira, pois abastece caminhões responsáveis pelo transporte de mercadorias, máquinas agrícolas e parte significativa da logística nacional. Qualquer instabilidade no fornecimento pode impactar diretamente os custos de produção, transporte de alimentos e o preço final de diversos produtos.
Diante do cenário de pressão no mercado, a Petrobras passou a adotar algumas medidas para controlar a distribuição do combustível. Entre elas está o sistema conhecido como “cota-dia”, que limita volumes extras de venda para distribuidoras, buscando evitar compras excessivas e garantir maior equilíbrio na oferta.
Especialistas apontam que uma eventual revisão nos preços praticados pela estatal poderia estimular novamente as importações por empresas privadas, ajudando a equilibrar o abastecimento nacional.
Apesar das preocupações levantadas por entidades do setor, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que não há, até o momento, registro de falta generalizada de diesel no país.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, onde surgiram relatos iniciais de dificuldades para produtores rurais encontrarem o combustível, a agência realizou verificações e informou que os estoques permanecem regulares e a produção segue normal na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).
A ANP também afirmou que segue monitorando o mercado de perto para identificar possíveis irregularidades, incluindo a investigação de eventuais aumentos abusivos de preços.
Especialistas do setor avaliam que o cenário atual é instável e depende diretamente da evolução dos preços internacionais do petróleo e da política de preços adotada pela Petrobras. Caso a paralisação das importações persista por um período prolongado, existe o risco de pressão sobre os estoques e eventuais problemas de abastecimento em algumas regiões.
Enquanto isso, o governo, órgãos reguladores e empresas do setor seguem acompanhando o mercado para evitar que a situação evolua para um quadro de desabastecimento que possa afetar a economia brasileira.







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