ARCEBISPO CARLO MARIA VIGANÓ VOLTA AO CENTRO DE POLÊMICAS AO ACUSAR “ELITE GLOBAL” DE CONSPIRAÇÃO INTERNACIONAL
- GUIA MIRAI
- 21 de nov.
- 3 min de leitura

Por Guia Miraí
O arcebispo italiano Carlo Maria Viganò, figura conhecida por suas posições controversas dentro da Igreja Católica, voltou a gerar repercussão internacional após divulgar novas declarações acusando líderes políticos, figuras públicas e instituições globais de conspirarem para estabelecer um suposto “regime totalitário global”.
As declarações, divulgadas em redes sociais e canais alinhados ao pensamento conspiracionista, reacendem discussões sobre o papel de líderes religiosos no debate político e levantam preocupações entre especialistas sobre a disseminação de desinformação.
Em seu novo pronunciamento, Viganò — que já foi núncio apostólico nos Estados Unidos — afirma que:
• uma “elite subversiva perigosa” teria se infiltrado nas instituições ocidentais;
• essa elite estaria impondo a chamada Agenda 2030 como parte de um “plano global criminoso”;
• pessoas que tentam expor esse suposto plano seriam silenciadas por censura, intimidação, abuso psiquiátrico e prisão.
Ele também menciona o advogado alemão Rainer Füllmich, atualmente detido por acusações criminais em seu país relacionadas a fraude financeira. Füllmich se notabilizou por disseminar teorias sobre a pandemia e por tentar criar um “tribunal internacional” paralelo — nunca reconhecido — para julgar autoridades sanitárias.
Viganò o define como “prisioneiro político”, alegação não reconhecida por nenhuma instituição jurídica oficial.
O arcebispo cita diversas figuras globais conhecidas, acusando-as de cometer “o maior crime já cometido contra a humanidade”. Entre elas:
• Anthony Fauci
• Bill Gates
• Klaus Schwab
• George Soros
• Ursula von der Leyen
• Albert Bourla
As alegações não possuem comprovação factual, e os supostos crimes mencionados por Viganò não constam em nenhum tribunal, investigação internacional ou denúncia oficial.
Organismos como ONU, OMS, OTAN e União Europeia também são citados como parte de um suposto “sistema totalitário global”.
Viganò é considerado uma figura dissidente dentro da Igreja. Desde 2018, ele rompeu publicamente com o Papa Francisco e passou a adotar discursos:
• antiglobalistas
• antivacina
• contra instituições multilaterais
• alinhados a movimentos conspiracionistas internacionais
A Santa Sé não reconhece suas alegações e já afirmou, em outras ocasiões, que Viganò fala “apenas em nome próprio”.
Analistas dentro do Vaticano apontam que as declarações do arcebispo não representam a posição da Igreja Católica, que participa ativamente de iniciativas multilaterais e defende diálogo internacional.
Pesquisadores em desinformação e radicalização digital afirmam que o discurso de Viganò integra um fenômeno global em expansão: religiosos ou figuras públicas que adotam narrativas conspiratórias politizadas, muitas vezes associadas a:
• teorias QAnon
• negação científica
• movimentos antivacina
• ataques a instituições democráticas
Segundo especialistas, características comuns desse tipo de narrativa incluem:
• existência de uma “elite maléfica” operando em segredo;
• perseguição a denunciantes;
• apelos emocionais em tom apocalíptico;
• ausência de evidências verificáveis;
• uso de nomes de grande impacto público para dar força à história.
As falas de Viganò têm repercussão especialmente em grupos que já desconfiam de governos, instituições científicas e autoridades eclesiásticas. A difusão dessas mensagens tende a:
• aumentar polarização política e religiosa
• incentivar a desinformação
• fragilizar a confiança em órgãos de saúde
• estimular ataques a indivíduos citados sem provas
• atrair seguidores por meio do medo ou do sentimento de “revelação exclusiva”
As novas declarações do arcebispo Carlo Maria Viganò reacendem o debate sobre responsabilidade de líderes religiosos, propagação de teorias conspiratórias e os desafios enfrentados por instituições democráticas e científicas na era digital.
As alegações do arcebispo não têm respaldo jurídico, científico ou institucional e refletem uma visão pessoal que diverge da posição oficial da Igreja Católica e de organismos internacionais.





