A HISTÓRIA DE DINDIM: O PINGUIM QUE VIAJA 8 MIL KM POR ANO PARA VISITAR BRASILEIRO
- GUIA MIRAI

- 18 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
GRATIDÃO OU INSTINTO?

Em 2011, uma cena comovente mudou para sempre a vida de João Pereira de Souza, um pedreiro e pescador aposentado que vive em Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro. Naquele dia, João encontrou um pinguim-de-magalhães completamente coberto de óleo, debilitado e à beira da morte, na praia próxima à sua casa.
Movido pela compaixão, João não hesitou. Levou o animal para casa, limpou cuidadosamente as penas, alimentou-o com peixes frescos e cuidou dele até que recuperasse totalmente a saúde. O pinguim, que foi carinhosamente batizado de Dindim, deveria, segundo qualquer previsão lógica, retornar ao oceano e seguir sua vida selvagem.
Mas o que parecia ser um simples gesto de solidariedade humana se transformou em uma das histórias mais incríveis de amizade entre homem e animal que o mundo já presenciou. Para surpresa de todos, após ser devolvido ao mar, Dindim não apenas sobreviveu como passou a retornar, ano após ano, percorrendo mais de 8 mil quilômetros desde o sul da Patagônia até o Brasil, apenas para rever João.
Uma Jornada Que Desafia a Ciência
O comportamento de Dindim é considerado extremamente raro, praticamente sem precedentes no reino animal. Os pinguins-de-magalhães são conhecidos por serem animais migratórios, mas jamais por estabelecerem vínculos tão profundos com seres humanos, muito menos retornarem de forma tão consistente para um mesmo local fora de seus locais naturais de reprodução.
Especialistas em biologia marinha e comportamento animal de instituições renomadas, como a BBC, CNN e a National Geographic, vieram até o Brasil para documentar essa história que se espalhou pelo mundo. Todos são unânimes em afirmar que não há registros científicos conhecidos que expliquem de forma objetiva essa conexão.
Atualmente, João está com mais de 80 anos e diz que trata Dindim como um neto. A rotina dos dois é de puro carinho e cumplicidade. Quando chega à Ilha Grande, Dindim é facilmente reconhecido não apenas por João, mas também pelos moradores da região, que já se acostumaram a vê-lo nadando perto das embarcações, caminhando pela praia ou até mesmo repousando ao lado do seu velho amigo.
"Eu amo o pinguim como se fosse da minha família. E acredito que ele também me ama", afirma João em entrevistas.
Dindim permanece no Brasil cerca de oito meses todos os anos. Durante esse tempo, ele se alimenta, descansa e compartilha os dias com João. Somente quando chega a época de reprodução, entre setembro e fevereiro, ele retorna para a Patagônia, onde se junta a outros de sua espécie.
O Que Diz a Ciência?
Biólogos explicam que os pinguins-de-magalhães possuem um comportamento de forte fidelidade a locais de alimentação e reprodução. No entanto, a fidelidade a um ser humano é algo que ultrapassa qualquer parâmetro conhecido.
Pesquisadores levantam hipóteses de que, por ter sido salvo ainda em situação de extremo estresse e fragilidade, Dindim passou a associar João à sua própria sobrevivência, estabelecendo um vínculo que se solidificou ao longo dos anos. Mas mesmo essa hipótese não explica completamente a jornada anual de milhares de quilômetros.
Uma História Que Inspira o Mundo
A amizade entre João e Dindim virou documentário, reportagens internacionais e até proposta de roteiro para filmes. É, acima de tudo, uma lição sobre empatia, cuidado com o meio ambiente e a capacidade que os seres humanos têm de impactar positivamente a vida de outros seres — e, por que não, ser retribuído com amor puro e sincero.
“Eu nunca pensei que um dia fosse ser amigo de um pinguim. E olha só... ele me escolheu. E eu escolhi ele também”, diz João, emocionado.
GUIA MIRAI









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