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Técnicos de enfermagem são investigados por homicídios em UTI, por aplicação de desinfetante na veia de pacientes, em hospital particular no DF

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • há 14 horas
  • 2 min de leitura

Por Guia Miraí


A Polícia Civil do Distrito Federal (Polícia Civil do Distrito Federal – PCDF) investiga uma série de crimes cometidos dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular do Distrito Federal. Três técnicos de enfermagem são suspeitos de envolvimento em homicídios e tentativas de homicídio contra pacientes internados em estado grave, que não tinham qualquer possibilidade de defesa.


De acordo com as investigações conduzidas pela Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa – CHPP), um dos técnicos teria aplicado, de forma deliberada, substâncias em altas doses diretamente na veia dos pacientes, provocando paradas cardíacas quase imediatas. Em um dos casos, ao não obter o efeito esperado, o suspeito teria administrado mais de dez doses de um produto desinfetante.


Segundo o delegado Wislei Salomão, coordenador da CHPP, o conjunto de provas reunido até o momento é considerado robusto e aponta para a intencionalidade dos crimes. As investigações incluem a análise de imagens de câmeras de segurança, prontuários médicos e registros do sistema hospitalar.


“Temos vídeos demonstrando as ações dessas pessoas e a análise detalhada dos prontuários médicos, com tudo o que foi realizado com esses pacientes”, afirmou o delegado. Ainda segundo ele, há fortes indícios de que o principal suspeito se passou por médico, acessou um sistema interno que estava aberto e realizou prescrições de medicamentos sem autorização legal.


Após isso, o técnico teria se dirigido à farmácia do hospital, preparado a substância e escondido o material no próprio jaleco antes de retornar à UTI para aplicar as injeções nas vítimas.


A investigação também revelou que, após a aplicação das substâncias, o suspeito aguardava a reação dos pacientes. Assim que ocorria a parada cardíaca — efeito esperado da administração irregular —, ele iniciava manobras de reanimação, como massagens cardíacas, numa tentativa de simular um atendimento de emergência e afastar suspeitas.


Para a polícia, essa conduta reforça a hipótese de dissimulação e tentativa de encobrir os crimes, criando a aparência de que as mortes decorreram de agravamento natural do quadro clínico dos pacientes.


Além do autor direto das aplicações, outras duas técnicas de enfermagem também foram presas. Embora não tenham participado diretamente da administração das substâncias, elas teriam presenciado ou tomado conhecimento das práticas criminosas e não comunicaram o hospital nem as autoridades policiais.


Por conta dessa omissão, os profissionais podem ser indiciadas por homicídio, na modalidade omissiva, uma vez que a polícia entende que houve negligência grave ao não denunciarem os fatos, permitindo a continuidade das ações criminosas.


O caso causou forte repercussão e comoção social, especialmente pela crueldade dos crimes e pelo fato de terem sido praticados contra pacientes internados em UTI, em situação de extrema vulnerabilidade. A investigação também reacende o debate sobre falhas nos protocolos de segurança hospitalar, controle de acesso a sistemas médicos e fiscalização da atuação de profissionais da saúde.


A Polícia Civil segue apurando o número exato de vítimas e não descarta o surgimento de novos casos relacionados ao mesmo grupo. O hospital, cujo nome não foi divulgado, informou que colabora com as investigações e que revisa seus procedimentos internos.


Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça, e o inquérito deve ser concluído nos próximos dias.

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