RESSURGIMENTO HISTÓRICO – AVE TACAÉ-DO-SUL EXTINTA A 125 ANOS VOLTA A HABITAR A NOVA ZELÂNDIA
- GUIA MIRAI

- 7 de set.
- 2 min de leitura

Por Guia Mirai
Na Nova Zelândia, um marco histórico da conservação ambiental e cultural ganhou destaque internacional: a volta do tacaé-do-sul (ou takahē, como é conhecido no idioma maori). Considerada extinta desde o século 19, a ave emblemática reaparece com força na Ilha Sul, resultado de décadas de esforços científicos, governamentais e comunitários.
O ressurgimento da espécie foi possível após 70 anos de programas intensivos de reintrodução, liderados pelo Department of Conservation (DOC) em parceria com o povo indígena Ngāi Tahu, para quem o pássaro carrega forte valor cultural e espiritual.
Recentemente, 18 exemplares foram soltos no Vale de Greenstone, aumentando a população total para cerca de 500 aves vivas na natureza — um número que parecia inalcançável há apenas algumas décadas.
O tacaé-do-sul, uma ave robusta, de penas azuladas e verdes vibrantes, chegou a ser declarado extinto em 1898, após séculos de caça e a introdução de predadores como gatos, doninhas e furões na Nova Zelândia. Contudo, em 1948, um grupo remanescente foi redescoberto em uma região remota dos Alpes do Sul, reacendendo a esperança de preservação.
Desde então, projetos de criação em cativeiro, controle de predadores e reintrodução em habitats protegidos têm sido fundamentais para garantir sua sobrevivência.
Além do impacto ecológico, a recuperação do tacaé-do-sul é profundamente simbólica para os Ngāi Tahu, povo originário da Ilha Sul. O retorno da ave reforça a ligação espiritual entre comunidade e natureza, fortalecendo tradições e a visão maori de kaitiakitanga (guardião do meio ambiente).
Para ambientalistas, o caso é uma prova de que esforços de longo prazo podem reverter até os cenários mais críticos de extinção.
Embora os números tragam esperança, especialistas alertam que o tacaé-do-sul ainda depende de constante monitoramento. O controle de predadores invasores e a preservação dos habitats naturais são pontos cruciais para garantir que a espécie siga crescendo.
Segundo o DOC, a meta é estabelecer populações autossustentáveis em diferentes pontos da Nova Zelândia, reduzindo a dependência de programas artificiais de reprodução.
O ressurgimento do tacaé-do-sul é considerado uma das histórias de conservação mais inspiradoras do mundo, mostrando que, com persistência, ciência e respeito à cultura local, é possível reverter a trajetória da extinção.









Comentários