Golpe com “falso médico” no Hospital de Cataguases é denunciado a justiça
- GUIA MIRAI

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Por Guia Miraí
Uma denúncia formal envolvendo um suposto golpe praticado por um homem que se passou por médico do Hospital de Cataguases está sendo investigada pelas autoridades. O caso foi registrado na Polícia Militar, na Polícia Civil e encaminhado ao Ministério Público, com a participação da própria família da vítima e com base em provas documentais que incluem conversas por WhatsApp, comprovantes de transferência e registros de chamadas telefônicas.
Segundo o relato da denunciante, sobrinha e responsável legal do paciente internado, o caso começou quando seu tio, foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Cataguases no dia 9 de janeiro de 2026, após agravamento de seu quadro clínico.
Na manhã seguinte (10 de janeiro), por volta de 10h38, a sobrinha recebeu uma ligação via WhatsApp de um homem que se apresentou como “Dr. Marcelo Melo”, alegando ser médico responsável pelo paciente.
O homem afirmou que o paciente sofria de uma hemorragia grave e que precisava de um procedimento imediato, sob a alegação de que a espera pela liberação do SUS poderia ser fatal. Ele então solicitou um pagamento de R$ 2.200,00 via PIX para a realização do procedimento, afirmando que o valor era indispensável para salvar a vida do paciente. Em estado de desespero, Amanda realizou a transferência para uma conta identificada no nome de Lorrany da Silva Lima.
Pouco depois, o golpista entrou em contato novamente, pedindo outros R$ 850,00 via PIX, desta vez sob o argumento de que seriam necessários para cobrir materiais como ampolas e contraste. Amanda também efetuou essa segunda transferência.
O golpe só foi interrompido quando os pedidos de um terceiro pagamento, sob a justificativa de que o valor inicial estava errado, despertaram desconfiança por parte da denunciante — que então deixou de cumprir a solicitação.
O Secretário Municipal de Saúde de Cataguases, Vinicius Franzone, responsável pela intervenção na Santa Casa local, declarou que o hospital informa constantemente aos pacientes e familiares que todos os serviços oferecidos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem qualquer cobrança adicional. Em razão do caso, a instituição voltou a emitir alertas em suas redes sociais para evitar repetição desse tipo de golpe.
Além do golpe em si, a denúncia levanta uma preocupação ainda maior: possível vazamento de dados pessoais e médicos do paciente, o que poderia configurar violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A família quer que a investigação identifique como os golpistas tiveram acesso a informações sensíveis e privadas do prontuário do paciente — que, por lei, deveriam estar protegidas.
A denúncia formal inclui:
• Prints de conversas via WhatsApp
• Comprovantes de transferência PIX
• Registros de chamadas
• Outros documentos que podem ajudar a Polícia e o Ministério Público na identificação dos responsáveis.
Casos envolvendo criminosos que se passam por profissionais de saúde não são inéditos — em outras regiões, autoridades e hospitais já emitiram alertas semelhantes sobre pessoas que tentam aplicar golpes usando credenciais falsas para extorquir dinheiro de pacientes e familiares.
O caso em Cataguases é um alerta importante sobre a necessidade de cautela ao receber contatos que solicitem recursos e pagamentos em nome de instituições de saúde. O município agora acompanha uma investigação que vai desde a origem da chamada fraudulenta até a possível quebra de sigilo de dados médicos — um aspecto que pode levar o caso além de um simples golpe financeiro, envolvendo questões legais de proteção de informações sigilosas.









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