Pai registra BO contra o próprio filho após adolescente participar de grupo que compartilhou imagens falsas de colega feitas com IA


Caso aconteceu em Jaú (SP) e envolve oito adolescentes. Polícia Civil investiga a criação e o compartilhamento das montagens
Por Guia Miraí
Um caso envolvendo inteligência artificial, adolescentes e imagens íntimas falsas chamou a atenção em Jaú, no interior de São Paulo. Um pai decidiu registrar um boletim de ocorrência contra o próprio filho, de 15 anos, depois de descobrir que o adolescente participava de um grupo de WhatsApp no qual foram criadas e compartilhadas montagens que simulavam imagens íntimas de uma colega de escola.
Segundo as informações divulgadas, o grupo era formado por oito estudantes, todos adolescentes, que teriam utilizado ferramentas de inteligência artificial para manipular fotografias da menina e produzir imagens falsas. A escola comunicou as famílias dos envolvidos e suspendeu os alunos.
Pai verificou o celular e procurou a polícia
Após ser informado pela escola sobre a participação do filho, o pai decidiu verificar o celular do adolescente. De acordo com o registro policial, ele encontrou arquivos e conversas relacionadas às montagens.
O homem levou o filho e o aparelho celular até uma unidade policial e decidiu registrar a ocorrência, inclusive contra o próprio adolescente. Segundo ele, a intenção foi preservar as provas e permitir que a polícia apurasse a participação de cada envolvido.
O caso também levou os pais da adolescente que aparece nas montagens a procurarem as autoridades e registrarem um boletim de ocorrência.
Foto de arma também teria sido compartilhada
O boletim registra ainda outro episódio que chamou a atenção dos investigadores: uma imagem de uma arma de fogo acompanhada de munições teria sido compartilhada no mesmo grupo.
As circunstâncias envolvendo essa imagem e eventuais ameaças também deverão ser esclarecidas durante a investigação.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jaú. Como o caso envolve menores de idade, as identidades dos adolescentes e da vítima não foram divulgadas.
A participação de cada estudante e as circunstâncias da criação e disseminação das imagens serão analisadas pela Polícia Civil.
Alerta sobre o uso da inteligência artificial
O episódio chama atenção para um problema que vem crescendo com a popularização de ferramentas capazes de criar imagens falsas extremamente realistas. Em julho, o Ministério da Justiça identificou dezenas de sites que oferecem ferramentas capazes de produzir imagens falsas de nudez a partir de fotografias reais e encaminhou informações às autoridades para análise.
Especialistas e autoridades alertam que a utilização dessas tecnologias para sexualizar ou expor pessoas sem consentimento pode provocar graves consequências, especialmente quando envolve crianças e adolescentes.
O caso de Jaú reforça também a importância do acompanhamento dos responsáveis sobre o uso de celulares, redes sociais, grupos de mensagens e ferramentas de inteligência artificial por adolescentes.







Comentários