Orelhões ganham nova vida em Belo Horizonte com água gelada e micro-ondas gratuitos


Projeto transforma antigas cabines de telefone público em pontos de apoio para trabalhadores que passam o dia nas ruas. Iniciativa prevê a instalação de centenas de unidades em Minas Gerais.
Por Guia Miraí
Os tradicionais orelhões, que durante décadas fizeram parte da paisagem das cidades brasileiras, estão prestes a ganhar uma nova utilidade em Belo Horizonte. Dois anos após a desativação do último telefone público da capital mineira, dezenas de estruturas com o design característico serão reaproveitadas em um projeto que promete oferecer serviços gratuitos à população.
Idealizada pelo empreendedor André Souza, a iniciativa transforma as antigas cabines telefônicas em pontos de apoio para trabalhadores que passam grande parte do dia nas ruas. Os equipamentos oferecerão água gelada e micro-ondas gratuitos para aquecer refeições.
A previsão inicial é instalar entre 60 e 80 unidades em Belo Horizonte nos próximos seis meses. Os pontos serão distribuídos estrategicamente em locais como postos de combustíveis que funcionam 24 horas, cozinhas de delivery, estacionamentos de atacarejos, universidades e grandes hospitais públicos.
Expansão para Minas Gerais
Segundo o idealizador, a expectativa é ampliar o projeto para outras regiões do estado. A projeção apresentada é de 400 unidades em Minas Gerais, sendo 120 somente em Belo Horizonte, conforme o avanço das parcerias regionais.
O projeto-piloto será instalado no Posto Rede Beija-Flor, na Avenida do Cabral, número 299, no bairro Átila de Paiva, na região do Barreiro.
Para viabilizar a iniciativa, as estruturas originais passaram por adaptações. O modelo tradicional, criado pela arquiteta Chu Ming Silveira em 1971, foi substituído por materiais mais leves, resistentes à radiação ultravioleta e com acabamento em pintura automotiva.
Tecnologia e funcionamento
Os novos equipamentos contarão com um sistema de refrigeração capaz de fornecer mais de 15 litros de água gelada por hora, com temperatura entre 10 °C e 14 °C.
Já o micro-ondas será fabricado em aço inox, sem prato giratório, e terá capacidade projetada para até 200 utilizações por dia.
De acordo com as informações divulgadas, o desenvolvimento do projeto levou 18 meses de pesquisa. Cada unidade tem custo estimado em R$ 30 mil, enquanto as despesas mensais com água, energia, limpeza e manutenção podem chegar a R$ 2 mil por equipamento.
A proposta é dar uma nova função a um dos símbolos mais conhecidos das cidades brasileiras, transformando estruturas que ficaram obsoletas com o avanço da tecnologia em espaços de apoio e serviços gratuitos para quem trabalha diariamente nas ruas.







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