OPERAÇÃO SIDEWAYS DESMONTA ESQUEMA DE TRÁFICO DE COCAÍNA EM TRÊS ESTADOS; 11 PESSOAS FORAM PRESAS EM VISCONDE DO RIO BRANCO, UBÁ E RIO POMBA
- GUIA MIRAI

- 24 de abr.
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Uma megaoperação deflagrada nesta quarta-feira (23) desarticulou uma organização criminosa altamente estruturada e especializada no refino e distribuição de cocaína em larga escala. Batizada de Operação Sideways, a ação teve desdobramentos simultâneos nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, com foco em cidades da Zona da Mata mineira: Rio Pomba, Visconde do Rio Branco e Ubá.
Ao todo, 11 pessoas foram presas em Minas Gerais, e outras quatro em São Paulo. Três investigados permanecem foragidos. A força-tarefa foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Juiz de Fora, com apoio das Polícias Civil, Militar, Penal e Rodoviária Federal.
O trabalho investigativo durou cerca de 18 meses e começou a partir de outra apuração do Gaeco em Rio Pomba. Segundo o coordenador da força-tarefa, promotor Thiago Fernandes de Carvalho, os primeiros indícios apontavam para um braço da organização atuando na cidade. "Não partimos de uma denúncia anônima. A investigação foi construída com base em dados concretos, e os alvos não imaginavam que seriam surpreendidos. A maioria ficou atônita no momento da prisão", relatou.
Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão. A operação também resultou na apreensão de 16 veículos – alguns de luxo –, R$ 440 mil em dinheiro vivo, eletrônicos, relógios e joias de alto valor, além de grande quantidade de cocaína e insumos utilizados no seu refino.
O núcleo de Visconde do Rio Branco operava o que foi descrito pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) como uma verdadeira "fábrica de drogas". O local possuía equipamentos como prensas, liquidificadores industriais e estufas, e funcionava quase 24 horas por dia em uma casa no Centro da cidade. Até mesmo uma sala com isolamento acústico foi instalada para não levantar suspeitas com o barulho da produção.
De acordo com a promotora Shermila Peres Dhingra, de Rio Pomba, a estrutura permitia o refino de cocaína em grau de pureza elevado, produzindo variedades conhecidas no submundo do tráfico como “ouro branco” e “super homem”. Ambas eram vendidas com marca própria, o que elevava significativamente seu valor comercial. “É uma demonstração clara da sofisticação do esquema, que se afastava do modelo tradicional de varejo para atuar no atacado, abastecendo grandes redes criminosas em todo o país”, destacou.
A promotora também chamou atenção para o perfil dos integrantes da quadrilha: indivíduos de classe média e média alta, que escondiam suas atividades ilegais por trás de negócios aparentemente lícitos, como academias, revendas de veículos e comércio de produtos químicos. Essas empresas eram utilizadas para lavar o dinheiro do tráfico. O MPMG estima que os bens dos investigados estão sob medidas de restrição judicial na ordem de R$ 50 milhões.
A cocaína refinada era escoada em pequenas frações e também em grandes cargas, o que levanta a suspeita de que transportadoras possam estar envolvidas no esquema. Quatro núcleos principais da organização foram identificados: no Rio de Janeiro (Complexo da Maré), em São Paulo (Cabreúva e Jundiaí), e em Minas Gerais (com ramificações em Visconde do Rio Branco, Rio Pomba e Ubá).
Os investigados presos em São Paulo permanecem no estado. Já os de Minas Gerais foram detidos nas cidades de Rio Pomba, Ubá e Juiz de Fora. A operação segue em andamento com buscas pelos foragidos e aprofundamento das investigações sobre o destino final da droga e o envolvimento de outras empresas no esquema logístico da organização criminosa.
GUIA MIRAI









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