NOBEL DA PAZ FRUSTRA TRUMP E PREMIA LÍDER DE OPOSIÇÃO DA VENEZUELA MARÍA CORINA MACHADO
- GUIA MIRAI

- 10 de out.
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Por Guia Miraí
(Com informações de: Comitê Norueguês do Nobel, Folha de S.Paulo, BBC, Reuters e El País)
Líder opositora de Nicolás Maduro é reconhecida por atuação em defesa dos direitos civis e pela busca de uma transição pacífica no país; Trump era considerado um dos favoritos ao prêmio
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira (10) que a líder opositora venezuelana María Corina Machado, de 58 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, em reconhecimento à sua luta “incansável pela democracia e pelos direitos civis na Venezuela”.
A escolha da opositora frustrou expectativas em torno do ex-presidente americano Donald Trump, que era apontado por aliados como um dos favoritos ao prêmio neste ano, após promover acordos diplomáticos entre países do Oriente Médio durante seu mandato.
Em comunicado oficial, o comitê destacou que a premiação reconhece “o trabalho incansável de María Corina Machado em promover os direitos democráticos do povo venezuelano e seu esforço por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.
Machado, engenheira e ex-deputada, é uma das figuras mais proeminentes da oposição ao regime de Nicolás Maduro. Ao longo dos últimos anos, enfrentou perseguições políticas, cassações e ameaças por sua postura firme contra o governo.
Mesmo impedida de disputar eleições presidenciais em 2024, a líder tornou-se símbolo da resistência civil no país, articulando movimentos pró-democracia e defendendo a união das forças oposicionistas.
“Este prêmio pertence a todos os venezuelanos que nunca deixaram de sonhar com liberdade. É uma vitória da coragem sobre o medo”, declarou Machado em pronunciamento feito por videoconferência após o anúncio.
O papel de Machado na crise venezuelana
Desde o início dos anos 2000, María Corina Machado despontou como uma das principais vozes críticas ao chavismo. Fundadora da organização Súmate, voltada ao monitoramento eleitoral, ela ganhou notoriedade internacional ao denunciar fraudes e irregularidades nas eleições venezuelanas.
Em 2014, foi cassada da Assembleia Nacional após apoiar protestos contra Maduro. Desde então, sofreu restrições políticas e ameaças, mas manteve atuação ativa na articulação internacional contra o autoritarismo no país.
Seu nome tornou-se símbolo da oposição liberal e reformista, defendendo um governo civil, livre de interferência militar e com garantias de liberdades políticas e econômicas.
A escolha de Machado foi amplamente comemorada por governos e entidades democráticas da América Latina e da União Europeia. Em comunicado, o Parlamento Europeu afirmou que a premiação “honra o povo venezuelano em sua luta por liberdade e dignidade”.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado classificou o reconhecimento como “um marco histórico para a democracia no hemisfério”.
Já o governo de Nicolás Maduro reagiu com críticas, chamando o Nobel de “instrumento de ingerência política estrangeira”. A chancelaria venezuelana afirmou que a decisão “atende a interesses imperiais que buscam desestabilizar o país”.
Trump reage à decisão
O ex-presidente americano Donald Trump, que havia sido indicado por aliados republicanos, reagiu à decisão em comunicado, dizendo estar “desapontado” com o resultado. Ele afirmou, contudo, que respeita a escolha do comitê e parabenizou Machado pela conquista.
“Eu esperava esse reconhecimento pelo que fizemos em favor da paz mundial, mas desejo sorte à senhora Machado e ao povo venezuelano”, escreveu Trump em publicação em sua plataforma Truth Social.
A escolha de María Corina Machado carrega forte peso político e simbólico. Em meio ao isolamento diplomático do regime de Maduro e à crise humanitária que levou milhões de venezuelanos ao exílio, o prêmio representa uma mensagem de apoio global à retomada da democracia no país.
Desde 2020, mais de 7 milhões de venezuelanos deixaram o país, fugindo da escassez, da inflação e da repressão política. Organizações internacionais, como a ONU e a OEA, vêm denunciando sistemáticas violações de direitos humanos cometidas pelo regime chavista.
Com o Nobel da Paz, Machado se junta a uma lista de líderes que marcaram a luta por liberdade, como Nelson Mandela, Malala Yousafzai e Aung San Suu Kyi.









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