Médicos realizam transplante de medula espinhal na Rússia em procedimento inédito


Cirurgia de aproximadamente 12 horas foi realizada em Moscou, com participação de especialistas chineses. Paciente sofreu lesão medular completa há três anos, e os resultados da recuperação ainda precisam ser avaliados.
Por Guia Miraí
(Fonte: Metrópoles e New Scientist)
Uma equipe médica realizou na Rússia uma cirurgia experimental de transplante de medula espinhal em um paciente adulto que havia sofrido uma lesão medular completa três anos antes. O procedimento foi realizado no Instituto de Pesquisa de Medicina de Emergência Sklifosovsky, em Moscou, e foi divulgado como um avanço que poderá abrir novas possibilidades para o tratamento de lesões graves na coluna.
A operação, que durou aproximadamente 12 horas, contou com a participação de especialistas russos e chineses. O caso foi divulgado pelo cirurgião Xiaoping Ren em entrevista à revista científica New Scientist, em reportagem publicada em 21 de outubro de 2026.
Como foi realizada a cirurgia?
Segundo o relato do cirurgião, a equipe retirou o segmento danificado da medula espinhal do paciente e o substituiu por um trecho proveniente de um doador com morte encefálica.
Para tentar conectar o tecido transplantado às extremidades da medula do receptor, os médicos utilizaram técnicas de microcirurgia e polietilenoglicol (PEG), substância que, nesse procedimento experimental, foi empregada como uma espécie de cola biológica.
A proposta é permitir que as estruturas nervosas estabeleçam conexões capazes de transmitir sinais entre o cérebro e as diferentes regiões do corpo. Entretanto, essa reconexão é um dos principais desafios da medicina no tratamento de lesões medulares graves.
Paciente poderá recuperar os movimentos?
De acordo com as informações divulgadas, o paciente estava bem após a operação. No entanto, ainda não foram apresentados resultados suficientes para afirmar que ele recuperou os movimentos ou a sensibilidade.
Os médicos precisarão acompanhar a evolução clínica e a reabilitação para avaliar se o procedimento conseguiu restabelecer funções neurológicas.
A medula espinhal é responsável por transmitir informações entre o cérebro e o restante do organismo. Quando sofre uma lesão grave, essa comunicação pode ser interrompida, provocando paralisia, perda de sensibilidade e outras complicações.
Por isso, conseguir conectar novamente os tecidos e demonstrar que eles funcionam de maneira integrada representa um desafio científico significativo.
É o primeiro transplante do tipo no mundo?
O procedimento foi anunciado oficialmente como o primeiro transplante de medula espinhal realizado na Rússia. A afirmação de que seria o primeiro do mundo foi atribuída ao cirurgião responsável, mas ainda não conta com confirmação científica independente suficiente.
A divulgação da cirurgia representa um acontecimento relevante para a pesquisa médica, mas ainda é cedo para considerar a técnica um tratamento comprovado para pessoas com paralisia.
A comunidade científica precisará avaliar os resultados, a segurança do procedimento e a capacidade de recuperação das funções neurológicas antes que seja possível determinar sua eficácia e eventual aplicação em outros pacientes.
Avanço que exige cautela
O caso desperta esperança para pessoas que convivem com lesões medulares, mas especialistas precisam verificar se a técnica consegue produzir benefícios duradouros e quais são os riscos envolvidos.
A cirurgia também levanta questões sobre rejeição do tecido transplantado, possíveis complicações e a necessidade de acompanhamento prolongado.
O Guia Miraí continuará acompanhando os desdobramentos desse avanço científico. Embora a operação represente uma iniciativa experimental importante, ainda não há comprovação de que o transplante de medula espinhal seja capaz de reverter a paralisia em seres humanos.







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