Cachaça de alambique e samba são reconhecidos como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais


Decisão do Conselho Estadual de Patrimônio Cultural valoriza tradições mineiras, fortalece a identidade cultural do estado e pode ampliar a visibilidade de produtores e grupos de samba.
Por Guia Miraí
(Fonte: O Tempo)
Minas Gerais deu mais um passo na valorização de suas tradições culturais. Nesta quinta-feira (22), os modos de fazer cachaça de alambique e as expressões do samba foram reconhecidos como patrimônio cultural imaterial do estado. A decisão foi tomada pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), após análise dos processos conduzidos pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).
O reconhecimento busca preservar conhecimentos, técnicas e manifestações culturais que fazem parte da história e da identidade mineira, além de contribuir para a valorização dos profissionais e das comunidades responsáveis por manter essas tradições vivas.
Produção artesanal de cachaça ganha reconhecimento
O processo de reconhecimento dos modos de fazer cachaça de alambique começou em 2004. Desde então, pesquisadores do Iepha-MG realizaram estudos e catalogaram produtores e técnicas tradicionais em seis municípios: Salinas, Januária, Caeté, Par aopeba, Montes Claros e Guaraciaba.
De acordo com as informações divulgadas, Minas Gerais possui aproximadamente 630 alambiques registrados junto ao Executivo estadual, conforme dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
O estado também se destaca nacionalmente pela produção da bebida, com cerca de 13,5 milhões de litros envasados por ano, segundo os dados citados na reportagem.
Com o reconhecimento como patrimônio imaterial, a expectativa é ampliar a visibilidade da cachaça artesanal mineira, incentivar a preservação dos métodos tradicionais de fabricação e fortalecer a atividade econômica ligada aos produtores.
Samba mineiro também recebe reconhecimento
Além da cachaça, o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural aprovou o reconhecimento das expressões do samba como patrimônio imaterial de Minas Gerais.
O processo foi iniciado há cerca de dois anos, após o Coletivo Sambista Mestre Conga procurar o Iepha-MG para formalizar o pedido.
A iniciativa busca valorizar o samba como manifestação artística, histórica e social, reconhecendo sua importância na construção da identidade coletiva e na preservação das tradições transmitidas entre gerações.
Segundo informações da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), o estado conta com 246 grupos de samba cadastrados no Executivo mineiro.
Preservação da história e da identidade mineira
O patrimônio cultural imaterial reúne práticas, conhecimentos, celebrações, expressões artísticas e tradições que comunidades reconhecem como parte de sua história.
Diferentemente do patrimônio material, formado por construções, monumentos e objetos, o patrimônio imaterial está relacionado aos saberes e às manifestações culturais transmitidos ao longo do tempo.
O reconhecimento da cachaça de alambique e do samba reforça a importância de políticas públicas voltadas à preservação dessas tradições e ao apoio às pessoas que mantêm esse legado vivo.
Na mesma reunião, o Conep também deliberou sobre o tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá, outro importante passo para a proteção do patrimônio histórico e cultural mineiro.
Com as decisões, Minas Gerais reafirma seu compromisso com a valorização de suas raízes, de sua diversidade cultural e dos saberes populares que atravessam gerações.







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