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Ministério da Saúde decide não incorporar vacina contra herpes-zóster ao SUS por impacto financeiro

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • 15 de jan.
  • 2 min de leitura


Por Guia Miraí


O Ministério da Saúde decidiu não incorporar, neste momento, a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União no dia 12 de janeiro.


Embora a vacina tenha eficácia comprovada e seja considerada altamente eficaz na prevenção da doença e de suas complicações, a avaliação técnica concluiu que o custo para oferta gratuita tornaria a política inviável no cenário atual. O imunizante analisado é a vacina recombinante adjuvada, registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021.


Atualmente, a vacina é indicada para pessoas com 50 anos ou mais e também para adultos imunocomprometidos. O esquema vacinal prevê a aplicação de duas doses, com intervalo de dois meses entre elas. Estudos analisados pela Conitec apontam elevada proteção contra o herpes-zóster e, especialmente, contra a neuralgia pós-herpética — uma das principais complicações da doença, caracterizada por dor intensa e prolongada.


No relatório final, a comissão reconheceu os benefícios clínicos da vacinação, mas destacou que o principal entrave para a incorporação ao SUS é o impacto orçamentário. A estratégia avaliada previa a vacinação de idosos com 80 anos ou mais e de pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Para atender esse público, seriam necessárias cerca de 6,5 milhões de doses ao longo de cinco anos.


O custo estimado dessa estratégia foi calculado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões para o sistema público de saúde. Mesmo considerando possíveis negociações com o fabricante para reduzir o valor praticado na rede privada, a Conitec avaliou que o investimento permaneceria acima do limite considerado sustentável para o SUS.


O herpes-zóster, conhecido popularmente como “cobreiro”, é causado pela reativação do vírus da varicela, o mesmo da catapora, e afeta principalmente idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido. Além das lesões na pele, a doença pode provocar dor crônica, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes.


Em nota, o Ministério da Saúde reforçou que a decisão não invalida a eficácia da vacina, mas reflete a necessidade de priorização de recursos diante das demandas do sistema público. A pasta também destacou que novas análises poderão ser realizadas no futuro, caso haja redução de custos ou mudanças no cenário orçamentário.


A decisão gerou repercussão entre especialistas e entidades da área da saúde, que defendem a ampliação do acesso à vacina, enquanto reconhecem os desafios financeiros enfrentados pelo SUS. O tema permanece em debate, especialmente diante do envelhecimento da população brasileira e do aumento de doenças associadas à idade avançada.

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