Mineira de 21 anos é deportada dos EUA para a África e fica sem previsão de voltar ao Brasil

Natural de Caratinga, Paola Santos estava há cerca de cinco anos nos Estados Unidos e foi enviada para a Libéria após passar mais de um ano detida pelo serviço de imigração americano

Por Guia Miraí
Uma jovem mineira de 21 anos, natural de Caratinga, no Vale do Rio Doce, vive uma situação inesperada após ser deportada dos Estados Unidos para a Libéria, na África, país com o qual, segundo seu relato, não possui qualquer vínculo.
O caso ganhou repercussão nacional após ser apresentado pelo programa Fantástico, da TV Globo. Paola Santos vivia havia aproximadamente cinco anos nos Estados Unidos e trabalhava com limpeza de obras em Massachusetts quando foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Mais de um ano detida
De acordo com o relato da jovem, ela permaneceu um ano e três meses detida, passando por unidades prisionais em diferentes estados americanos.
Em agosto, Paola foi colocada em um ônibus e posteriormente levada para um avião. Ela afirma que não sabia qual seria o destino da viagem. O voo até a África durou cerca de 16 horas.
Segundo a mineira, durante o trajeto ela permaneceu algemada pelas mãos, cintura e pés. Paola afirma que somente descobriu que estava sendo levada para a Libéria quando desembarcou no país africano.
“Eu fui a primeira a descer do avião. Tinham agentes da imigração dando boas-vindas à Libéria. Só aí todos fomos descobrir que estávamos na África”, relatou a jovem.
Sem previsão para voltar ao Brasil
Atualmente, Paola está na Libéria e não há previsão definida para seu retorno ao Brasil. O caso chama atenção porque a jovem foi enviada para um país do qual não é cidadã e com o qual não possui vínculo, em meio à ampliação da política americana de deportação de imigrantes para chamados “terceiros países”.
O episódio ocorre em um contexto de endurecimento da política migratória dos Estados Unidos. A administração de Donald Trump estabeleceu acordos com diversos países para receber pessoas deportadas que não são nacionais dessas nações.
Outro brasileiro também foi enviado para a África
O caso de Paola não é isolado. O brasileiro Pietro Graza de Lima, de 57 anos, que vivia na Flórida, foi deportado para a Guiné Equatorial no fim de agosto.
Inicialmente, ele estava em um voo com destino à Libéria, mas, junto com outros imigrantes, recusou-se a desembarcar. Posteriormente, foi enviado para a Guiné Equatorial. O Itamaraty informou ter tomado conhecimento do caso e buscado prestar assistência consular ao brasileiro.
Os episódios têm provocado questionamentos sobre a política de deportações para terceiros países e sobre as condições enfrentadas pelos imigrantes após serem retirados dos Estados Unidos.







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