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Injeção que previne o HIV tem preço máximo de R$ 20,9 mil por dose no Brasil

Foto do escritor: GUIA MIRAI
GUIA MIRAI
há 56 minutos
3 min de leitura

Lenacapavir, comercializado como Sunlenca, pode reduzir o risco de infecção pelo HIV com aplicações a cada seis meses. Medicamento já foi autorizado pela Anvisa, mas ainda não está disponível comercialmente no país nem foi incorporado ao SUS.


Por Guia Miraí

(Fonte: Agência Brasil, Folha de S.Paulo e Anvisa)


O Brasil definiu em R$ 20.914,22 o preço máximo ao consumidor por aplicação do lenacapavir, medicamento injetável utilizado na prevenção da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). A informação foi divulgada em 19 de outubro de 2026, com base nos valores estabelecidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).


Comercializado com o nome Sunlenca, o medicamento representa uma nova alternativa de prevenção, pois permite manter a profilaxia com aplicações a cada seis meses, em vez da necessidade de tomar comprimidos diariamente.

Quanto custará o tratamento?


O valor definido pela CMED é um teto regulatório, ou seja, o preço máximo permitido para comercialização, e não necessariamente o valor final que será praticado no mercado.


Considerando duas aplicações por ano, o custo anual poderá chegar a R$ 41.828,44 por pessoa, sem incluir eventuais despesas adicionais relacionadas a consultas, exames e acompanhamento médico.


Apesar da definição do preço e da autorização sanitária, o medicamento ainda não está disponível comercialmente no Brasil. A fabricante precisa viabilizar a distribuição do produto no país.


Como funciona a injeção contra o HIV?


O lenacapavir é um medicamento antirretroviral utilizado como profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia destinada a pessoas que não vivem com HIV, mas apresentam risco de adquirir o vírus.


A aplicação é feita por um profissional de saúde e, após a etapa inicial prevista na prescrição, deve ser repetida a cada 26 semanas, aproximadamente seis meses.


A Anvisa autorizou o uso preventivo do Sunlenca em janeiro de 2026 para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam sob risco de adquirir o HIV por via sexual. Antes de iniciar o medicamento, é obrigatório confirmar, por meio de teste, que a pessoa não está infectada pelo vírus.


Estudos apontaram elevada eficácia


Os resultados dos estudos clínicos demonstraram elevada eficácia preventiva.


Em um dos estudos, não foram registradas novas infecções pelo HIV entre as mulheres cisgênero que receberam lenacapavir durante o período analisado. Em outra pesquisa, o medicamento apresentou redução de 96% na incidência de HIV em comparação com a incidência de referência e eficácia superior à PrEP oral diária no grupo estudado.


Os resultados reforçam o potencial da medicação como ferramenta adicional de prevenção, embora seu uso exija acompanhamento profissional e testagem adequada.


Entre os possíveis efeitos adversos estão dor, inchaço, vermelhidão e formação de nódulos no local da aplicação. O medicamento também não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), sendo importante manter as demais estratégias de prevenção.


Quando a injeção estará disponível pelo SUS?


A definição do preço máximo não significa que o medicamento será oferecido imediatamente na rede pública.


Para que o lenacapavir seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), é necessária a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), seguida da decisão do Ministério da Saúde.


O governo brasileiro estuda a possibilidade de oferecer o medicamento como alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário da PrEP oral. Entretanto, até o momento, não há data confirmada para sua disponibilização gratuita na rede pública.


Prevenção continua sendo fundamental


Enquanto a nova opção não chega à rede pública, a população pode recorrer às estratégias de prevenção já disponíveis, como preservativos, testagem regular para HIV, PrEP oral e profilaxia pós-exposição (PEP), conforme a indicação clínica.


A escolha da estratégia mais adequada deve ser feita com orientação de um profissional de saúde.


O Guia Miraí continuará acompanhando as atualizações sobre a chegada do lenacapavir ao mercado brasileiro e sua possível incorporação ao SUS.

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