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Empresa afirma que pode ajudar a resfriar o planeta por R$ 56 bilhões ao ano, mas cientistas alertam para riscos

Foto do escritor: GUIA MIRAI
GUIA MIRAI
há 2 dias
3 min de leitura

Por Guia Miraí

(Fonte: R7)


Uma proposta de geoengenharia solar está provocando debate entre cientistas e especialistas em clima. A empresa israelense-americana Stardust Solutions, fundada em 2023, desenvolve uma tecnologia que pretende reduzir temporariamente o aquecimento global ao refletir parte da luz solar de volta para o espaço.


A ideia consiste em produzir partículas extremamente pequenas e lançá-las na estratosfera, a partir de aeronaves de alta altitude ou balões. Essas partículas funcionariam como uma espécie de “escudo” microscópico, refletindo parte da radiação solar e provocando um resfriamento da atmosfera.


Segundo informações divulgadas pela empresa, uma aplicação em larga escala poderia custar aproximadamente US$ 10 bilhões por ano, valor equivalente a cerca de R$ 56 bilhões, dependendo da cotação. A estimativa está relacionada a uma operação envolvendo centenas de milhares de toneladas de partículas.


Tecnologia ainda é controversa


A Stardust afirma estar desenvolvendo partículas à base de sílica amorfa e carbonato de cálcio, materiais encontrados na natureza e utilizados em diferentes aplicações. A empresa sustenta que sua tecnologia poderia ser mais segura do que métodos baseados em compostos de enxofre, tradicionalmente estudados para a geoengenharia solar.


O problema é que os efeitos de uma intervenção desse tamanho no sistema climático ainda são pouco conhecidos.


Especialistas alertam que alterar a quantidade de radiação solar que chega à Terra pode modificar padrões de chuva, temperaturas regionais e sistemas de monções, com possíveis impactos sobre agricultura e disponibilidade de água. Também existem preocupações relacionadas à atmosfera, à saúde e aos efeitos de longo prazo.


“Choque de terminação” preocupa pesquisadores


Um dos principais riscos discutidos pelos cientistas é chamado de “choque de terminação”.


A hipótese é que, caso uma operação global de geoengenharia seja mantida durante anos e depois interrompida repentinamente, o planeta poderia experimentar um aquecimento muito rápido, dificultando a adaptação dos ecossistemas e das sociedades.


A empresa afirma que sua tecnologia poderia ser aumentada ou reduzida gradualmente, evitando esse cenário. Cientistas, porém, ressaltam que ainda não existem evidências suficientes para garantir como o sistema se comportaria em escala planetária.


Quem teria o controle do clima?


Além da questão científica, existe um enorme debate ético e político.


A possibilidade de uma empresa privada desenvolver uma tecnologia capaz de alterar temporariamente a temperatura média do planeta levanta perguntas sobre quem teria autoridade para decidir quando utilizá-la, quais países seriam beneficiados ou prejudicados e quem assumiria a responsabilidade por eventuais consequências.


A União Europeia, por exemplo, já reconheceu que acompanha os avanços relacionados à modificação da radiação solar e informou que considera necessária uma avaliação científica dos riscos dessas tecnologias.


A Stardust afirma que qualquer eventual implantação deverá ocorrer sob supervisão e orientação direta de governos, e que a tecnologia não pretende substituir a redução das emissões de gases de efeito estufa.


Solução para o aquecimento ou risco global?


A geoengenharia solar ainda está longe de ser uma solução comprovada para as mudanças climáticas. Pesquisadores reconhecem que a técnica poderia, em teoria, reduzir parte do aquecimento, mas destacam que existem incertezas significativas sobre seus efeitos colaterais.


O debate, portanto, não é apenas sobre a capacidade de “resfriar o planeta”, mas sobre se a humanidade deveria interferir deliberadamente em um sistema climático tão complexo — e quem teria o direito de tomar essa decisão.


Enquanto a Stardust aposta no desenvolvimento da tecnologia, cientistas defendem pesquisas, transparência e regras internacionais antes de qualquer aplicação em larga escala.


E você, seria a favor de uma tecnologia capaz de resfriar o planeta artificialmente ou considera esse um risco grande demais?

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