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Dez candidatos com patrimônio acima de R$ 500 mil aparecem como beneficiários do Bolsa Família

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • há 10 minutos
  • 3 min de leitura


Levantamento cruzou dados do TSE com registros de programas federais e identificou três candidatos com patrimônio superior a R$ 1 milhão


Por Guia Miraí

(Informações do Estadão)


Um levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo identificou pelo menos dez candidatos às eleições de 2026 que declararam patrimônio superior a R$ 500 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, ao mesmo tempo, aparecem em registros de programas sociais do governo federal.


Entre os benefícios estão Bolsa Família, Auxílio Brasil, Auxílio Emergencial e Gás do Povo. Segundo o levantamento, os pagamentos destinados aos dez candidatos ultrapassam R$ 321 mil. Três deles declararam patrimônio acima de R$ 1 milhão.


O caso de maior patrimônio envolve Sérgio Francisco (DC), candidato a deputado estadual por Goiás. Ele declarou ao TSE possuir aproximadamente R$ 1,2 milhão em bens, incluindo imóveis, terrenos e veículos.


Segundo o levantamento, Sérgio recebeu cerca de R$ 24 mil do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial em períodos distintos, entre 2020 e junho de 2026.


Ao Estadão, o candidato afirmou que já solicitou sua saída do Bolsa Família e explicou que enfrentou dificuldades financeiras após sofrer um acidente. Ele também declarou possuir dois lotes avaliados em R$ 300 mil cada, ainda em pagamento.


Outro caso é o de Talita Lemke (PDT), candidata a deputada federal por Goiás. Ela declarou patrimônio de R$ 1,09 milhão, incluindo uma propriedade rural avaliada em R$ 1 milhão e dois veículos. Segundo o levantamento, recebeu cerca de R$ 34,5 mil em benefícios sociais entre março de 2020 e junho de 2026.


Em Roraima, Mirian Moreira (PL) declarou um terreno avaliado em R$ 1 milhão e recebeu aproximadamente R$ 46,1 mil de programas sociais em diferentes períodos.


Já em Minas Gerais, Reginaldo dos Anjos do Santo (Agir) declarou patrimônio de R$ 870 mil e aparece com cerca de R$ 18,9 mil recebidos do Bolsa Família.


Ter patrimônio não impede automaticamente o benefício


Apesar de os números chamarem atenção, ter patrimônio elevado, por si só, não significa automaticamente que uma pessoa esteja irregular no Bolsa Família.


O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social informou que o programa considera principalmente a renda familiar por pessoa e que não existe uma regra que estabeleça um limite patrimonial isolado para impedir o recebimento.


A pasta afirmou, porém, que informações sobre patrimônio podem ser utilizadas juntamente com outros dados para identificar possíveis inconsistências cadastrais ou indícios de subdeclaração de renda.


Governo diz que casos são fiscalizados


O Ministério informou ainda que realiza cruzamentos de dados para verificar a situação dos beneficiários. Caso sejam confirmadas irregularidades, os pagamentos podem ser interrompidos e os valores recebidos indevidamente podem ser cobrados de volta.


O governo também esclareceu que receber ou ter recebido benefício social não impede uma pessoa de disputar uma eleição. A situação de cada candidato precisa ser analisada individualmente, levando em consideração renda, composição familiar, patrimônio e demais informações cadastrais.


O levantamento, portanto, não comprova, por si só, fraude ou recebimento indevido por parte dos candidatos citados. As situações ainda podem ser analisadas pelos órgãos responsáveis.


Lista dos 10 candidatos:


O levantamento publicado em 24 de agosto de 2026 pelo Estadão e reproduzido pela Revista Oeste cita os seguintes 10 candidatos que declararam patrimônio superior a R$ 500 mil e aparecem em registros de programas sociais:


1. Sérgio Francisco (DC) — candidato a deputado estadual em Goiás — patrimônio declarado: R$ 1,2 milhão.

2. Talita Lemke (PDT) — candidata a deputada federal por Goiás — R$ 1,09 milhão.

3. Mirian Moreira (PL) — candidata a deputada estadual em Roraima — R$ 1 milhão.

4. Reginaldo dos Anjos do Santo (Agir) — candidato a deputado estadual em Minas Gerais — R$ 870 mil.

5. Adelaide Pereira Cardoso (PL) — candidata a deputada estadual no Tocantins — R$ 700 mil.

6. Cristiane Nascimento Pereira (Podemos) — candidata a deputada federal por São Paulo — R$ 695 mil.

7. Bruna Soares (Republicanos) — candidata a deputada federal pelo Espírito Santo — R$ 600 mil.

8. Jucelma Oliveira da Silva (PSD) — candidata a deputada estadual em Mato Grosso — R$ 600 mil.

9. Ricardo Silva Santos (PT) — candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro — R$ 569,9 mil.

10. Adão Alves da Silva (PSB) — candidato a deputado estadual em Goiás — R$ 545 mil.


A reportagem não afirma que os dez tenham cometido fraude. O Ministério do Desenvolvimento Social informou que patrimônio, isoladamente, não impede o recebimento do Bolsa Família; a renda familiar e outros dados cadastrais são considerados. Eventuais irregularidades precisam ser apuradas individualmente.

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