Câncer cresce entre pessoas com menos de 50 anos e acende alerta entre especialistas


Por Guia Miraí
(Fonte: CNN Brasil, BMJ Oncology e estudos citados por instituições de pesquisa)
O câncer, historicamente associado ao envelhecimento, vem apresentando uma mudança preocupante: adultos com menos de 50 anos estão registrando aumento na incidência de diferentes tipos da doença.
Dados recentes apontam que essa tendência tem sido observada em diversos países e envolve tumores como câncer colorretal, mama, endométrio, rim, pâncreas, estômago e tireoide. Entre 1995 e 2021, pessoas com menos de 50 anos foram a única faixa etária que apresentou crescimento sustentado da incidência em uma análise citada pela CNN Brasil.
Aumento também é observado no Brasil
Um estudo realizado pelo A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, analisou mais de 5,5 mil casos de câncer colorretal diagnosticados entre 2000 e 2023. A pesquisa identificou crescimento anual de 7,6% entre pessoas com menos de 50 anos, mostrando que o problema também merece atenção no Brasil.
Outro levantamento internacional publicado na BMJ Oncology apontou que os casos de câncer em pessoas de 14 a 49 anos aumentaram 79% entre 1990 e 2019, passando de aproximadamente 1,82 milhão para 3,26 milhões de casos.
Por que isso está acontecendo?
Até o momento, não existe uma única causa comprovada para explicar o crescimento dos casos em adultos jovens. Especialistas investigam uma combinação de fatores que podem atuar durante muitos anos antes do aparecimento da doença.
Entre as principais hipóteses estão:
* aumento da obesidade e de alterações metabólicas;
* sedentarismo;
* mudanças nos hábitos alimentares;
* maior consumo de alimentos ultraprocessados;
* consumo de bebidas alcoólicas;
* exposição a determinados poluentes e substâncias ambientais;
* possíveis alterações no microbioma intestinal.
Pesquisadores também ressaltam que mudanças nos métodos de diagnóstico e rastreamento podem contribuir para o aumento observado em alguns tipos de câncer.
Atenção aos sinais
O crescimento da incidência não significa que toda pessoa jovem esteja sob alto risco de desenvolver câncer, mas reforça a importância de não ignorar sintomas persistentes.
Alterações intestinais prolongadas, sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, sangramentos anormais, mudanças persistentes em sinais ou manchas, caroços e dores sem causa aparente devem ser avaliados por um profissional de saúde.
O diagnóstico precoce continua sendo um dos principais aliados no tratamento. No caso do câncer colorretal, por exemplo, pacientes diagnosticados nos estágios iniciais apresentam resultados de sobrevida significativamente melhores do que aqueles que chegam ao diagnóstico com a doença avançada.
Prevenção continua sendo fundamental
Mesmo com o avanço das pesquisas, especialistas reforçam que hábitos saudáveis, acompanhamento médico e realização dos exames recomendados para cada faixa etária e fator de risco continuam sendo importantes ferramentas de prevenção.
O alerta não é para criar pânico, mas para lembrar que câncer não deve ser considerado exclusivamente uma doença de pessoas idosas. A investigação científica agora busca entender por que determinados tumores estão aparecendo com maior frequência em adultos mais jovens.







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