CHINA REALIZA MAIOR OPERAÇÃO CONTRA CRISTÃOS EM DÉCADAS E PRENDE LÍDERES EVANGÉLICOS
- GUIA MIRAI

- 15 de out.
- 3 min de leitura

Por Guia Miraí
O governo da China desencadeou, nesta semana, uma das maiores operações de repressão religiosa das últimas décadas, com a prisão de dezenas de pastores e líderes da chamada Igreja Zion, uma das maiores congregações cristãs independentes do país.
A ação, coordenada por autoridades de segurança pública em diversas províncias, foi descrita por agências internacionais como a mais ampla ofensiva contra cristãos em anos, marcando um novo capítulo na política de controle estatal sobre organizações religiosas não registradas.
Segundo informações da agência Reuters, pelo menos 30 líderes religiosos foram detidos em uma série de operações simultâneas realizadas em Pequim, Guangxi, Zhejiang e Shandong. Entre os presos está o pastor Jin Mingri, fundador da Igreja Zion, detido em sua residência na cidade de Beihai, província de Guangxi.
De acordo com autoridades chinesas, as detenções ocorreram sob a acusação de “uso ilegal de redes de informação”, um crime previsto na legislação do país que proíbe a divulgação de conteúdo religioso pela internet sem autorização do Estado.
O governo também afirma que a Igreja Zion atuava de forma irregular, sem vínculo com o Conselho Cristão Chinês, órgão estatal responsável por supervisionar e regular a prática religiosa no país.
Organizações de direitos humanos e entidades religiosas internacionais, porém, consideram as prisões parte de uma campanha de perseguição religiosa que o Partido Comunista Chinês vem intensificando nos últimos anos, sob a política de “sinicização da religião” — que busca alinhar todas as expressões religiosas aos valores e interesses do regime.
Fundada em 2007, a Igreja Zion cresceu rapidamente e chegou a reunir milhares de fiéis em cultos semanais em Pequim, além de manter atividades de caridade e grupos de estudo bíblico em várias cidades chinesas.
Por não ser registrada oficialmente, a congregação já havia sido alvo de investigações e advertências em 2018, quando o governo ordenou o fechamento de seu principal templo na capital.
Desde então, seus líderes passaram a realizar encontros em residências particulares e a transmitir cultos pela internet — prática que agora serve de base para as novas acusações.
A operação provocou forte repercussão internacional. Entidades como a Christian Solidarity Worldwide, a Open Doors International e a Human Rights Watch condenaram as prisões e pediram que o governo chinês respeite a liberdade religiosa garantida por tratados internacionais dos quais o país é signatário.
“O que estamos vendo é uma escalada de repressão que visa eliminar qualquer forma de culto que não esteja sob controle do Partido Comunista”, afirmou Mervyn Thomas, fundador da Christian Solidarity Worldwide.
O caso também chamou a atenção de diplomatas ocidentais, especialmente porque parte da família do pastor Jin Mingri vive nos Estados Unidos. Autoridades americanas manifestaram preocupação com o episódio e pediram esclarecimentos ao governo chinês.
Nos últimos anos, o regime liderado por Xi Jinping tem adotado medidas rigorosas para limitar a atuação de grupos religiosos independentes.
Além de fechar templos e igrejas não registradas, o governo instalou sistemas de reconhecimento facial em locais de culto, censurou conteúdo religioso on-line e impôs restrições severas à atuação de missionários estrangeiros.
Relatórios recentes indicam que milhares de igrejas “de casa” — congregações que se reúnem em residências particulares — foram desativadas em todo o país, e centenas de líderes religiosos enfrentam processos administrativos ou criminais.
As autoridades chinesas ainda não divulgaram informações oficiais sobre o número exato de pessoas detidas nem sobre as acusações formais apresentadas.
Grupos de direitos humanos alertam que advogados estão sendo impedidos de acessar os presos, o que pode indicar que o caso será tratado sob leis de segurança nacional — categoria que restringe direitos de defesa e publicidade dos processos.
Enquanto isso, as comunidades cristãs independentes na China permanecem em alerta. Analistas preveem que o episódio da Igreja Zion pode marcar o início de uma nova fase de repressão religiosa no país, especialmente contra grupos que mantenham vínculos com organizações estrangeiras ou presença digital.









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