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Brasil mantém pior posição histórica no ranking global de corrupção em 2025

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • há 27 minutos
  • 2 min de leitura

Por Guia Miraí


O Brasil manteve, em 2025, sua pior colocação histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado pela Transparência Internacional. O país obteve 35 pontos, ocupando a 107ª posição entre 182 nações, empatado com o Sri Lanka e permanecendo abaixo da média global, que é de 42 pontos.


O resultado confirma um cenário de estagnação prolongada, já que, desde 2012, o Brasil não consegue retornar à sua melhor nota no índice, quando alcançou 43 pontos. A edição de 2025 reforça a percepção internacional de que o país enfrenta desafios estruturais persistentes no combate à corrupção e no fortalecimento de suas instituições democráticas.


Segundo o relatório, um dos principais fatores para a manutenção do baixo desempenho brasileiro é a fragilização do sistema de Justiça, apontada como um entrave ao avanço no enfrentamento à corrupção. O documento cita o chamado “Caso Master”, que envolve suspeitas de fraudes bancárias associadas a autoridades públicas, como exemplo de falhas estruturais e de dificuldades na responsabilização de agentes poderosos.


A Transparência Internacional destaca ainda que a lentidão em processos judiciais, mudanças legislativas que reduzem o alcance de investigações e a percepção de impunidade contribuem para a imagem negativa do país no cenário global.


O relatório reconhece como um sinal positivo a rejeição da chamada “PEC da Blindagem”, proposta que poderia ampliar proteções a parlamentares e dificultar investigações. Apesar disso, a organização avalia que a medida, isoladamente, não foi suficiente para reverter o quadro geral de estagnação.


Mesmo com esse recuo legislativo, o Brasil segue distante de países considerados referência em integridade pública, como a Dinamarca, que lidera o ranking com 89 pontos.


A Controladoria-Geral da União (CGU) contestou a interpretação do índice, afirmando que o aumento no número de investigações, auditorias e ações de transparência não indica maior corrupção, mas sim maior capacidade de detecção e enfrentamento por parte do Estado.


Em nota, o órgão destacou avanços em mecanismos de controle interno, cooperação entre instituições e ampliação do acesso público a informações governamentais, argumentando que esses fatores nem sempre são plenamente captados por índices baseados em percepção.


Apesar da divergência de interpretações, o histórico do IPC mostra que o Brasil permanece, há mais de uma década, em um grupo de países classificados como portadores de sérios desafios democráticos. Especialistas apontam que a falta de previsibilidade institucional, tensões entre Poderes e mudanças frequentes nas regras do jogo dificultam a construção de políticas anticorrupção de longo prazo.


Para analistas, a recuperação da credibilidade internacional do país depende não apenas de operações pontuais ou rejeição de propostas controversas, mas de reformas estruturais, fortalecimento das instituições de controle, garantia de autonomia investigativa e maior estabilidade jurídica.


O desempenho brasileiro no IPC de 2025 reforça a percepção de que o combate à corrupção no país atravessa um período de baixo dinamismo, sem avanços significativos nem retrocessos abruptos — um cenário que, na prática, mantém o Brasil distante das melhores práticas globais de integridade pública.


Enquanto países no topo do ranking consolidam políticas consistentes de transparência e responsabilização, o Brasil segue diante do desafio de transformar discursos e iniciativas pontuais em resultados duradouros, capazes de melhorar sua posição e, sobretudo, fortalecer a confiança da sociedade e da comunidade internacional em suas instituições.

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