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ANUÁRIO REVELA QUE POLICIAIS TIRAM A PRÓPRIA VIDA MAIS DO QUE HOMICÍDIOS FORA DO SERVIÇO

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • 1 de ago.
  • 2 min de leitura
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Por GUIA Miraí

(Com informações de Agência O Globo)


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, entre em contato com o CVV – Centro de Valorização da Vida pelo número 188 ou pelo site www.cvv.org.br.


Pela primeira vez desde que começou a ser publicado, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública traz um dado alarmante: em 2024, o número de suicídios entre policiais civis e militares superou o total de agentes assassinados durante o período de folga. O levantamento escancara uma crise silenciosa e crescente dentro das forças de segurança brasileiras: a saúde mental dos profissionais que atuam diariamente na linha de frente do combate à violência.


Segundo o relatório, as mortes por suicídio ultrapassaram os homicídios registrados fora do horário de serviço, um dado inédito e preocupante. O documento destaca que o fenômeno precisa ser tratado como uma questão urgente de saúde pública dentro das corporações. “O tema precisa ocupar lugar central nas políticas de segurança pública”, reforça o texto.


Apesar da elevação nos casos de suicídio, o número de homicídios entre policiais ainda é expressivo. Em 2024, 126 agentes foram assassinados fora do expediente e outros 46 foram mortos enquanto estavam em serviço. O perfil dessas vítimas segue um padrão trágico: 98,4% eram homens, 65,4% negros e 32,8% tinham entre 40 e 49 anos. Além disso, 93,9% das mortes ocorreram por arma de fogo e 77,2% se deram em via pública.


Os dados revelam a violência que ainda recai sobre os policiais brasileiros, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho — um risco constante que se soma ao fardo psicológico da profissão.


O estudo aponta ainda a pressão psicológica, as jornadas exaustivas, a escassez de recursos e a constante exposição ao perigo como fatores determinantes para o adoecimento mental dos profissionais de segurança. Muitos policiais enfrentam sintomas de depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e outros distúrbios psíquicos, muitas vezes sem o devido acompanhamento ou apoio institucional.


Especialistas ouvidos pelos organizadores do anuário reforçam que, embora o debate sobre saúde mental esteja ganhando espaço na sociedade, a cultura de silêncio e endurecimento emocional ainda predomina nas corporações policiais. Isso contribui para que muitos agentes sofram calados — e, em casos extremos, busquem no suicídio uma trágica saída.


Subnotificação agrava o problema


Outro ponto levantado pelo anuário é a subnotificação dos suicídios entre agentes da segurança pública. Por vezes, os registros não entram nas estatísticas criminais, o que compromete o mapeamento real do problema e dificulta a elaboração de políticas públicas eficazes de prevenção e cuidado psicológico.


O relatório cobra do poder público a criação de programas permanentes de acolhimento, escuta ativa, atendimento psiquiátrico e acompanhamento terapêutico, além de mudanças estruturais nas condições de trabalho, como revisão da carga horária e mecanismos de descompressão emocional.


O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 traz um recado claro: o sofrimento mental dos policiais brasileiros não pode mais ser tratado como tabu ou relegado ao segundo plano das políticas de segurança. A proteção dos que protegem é uma necessidade urgente — e vidas dependem disso.


Enquanto o Estado não assumir seu papel no enfrentamento dessa crise, o fardo silencioso da farda seguirá ceifando vidas longe dos holofotes, mas com impactos devastadores para as famílias, as corporações e a sociedade.

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