Radares que calculam velocidade média serão testados nas rodovias BR-040, BR-116, BR-050 e BR-381; veja como funciona


Projeto-piloto autorizado pela ANTT terá duração inicial de 180 dias e será realizado em trechos das BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116. Nesta fase, não haverá multa pela velocidade média registrada
Por Guia Miraí
(Fontes: Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e decisões da Superintendência de Infraestrutura Rodoviária-SUROD)
Motoristas que circulam pelas principais rodovias federais de Minas Gerais devem ficar atentos a uma nova tecnologia que começa a ser testada no estado: radares capazes de calcular a velocidade média dos veículos durante determinado trecho da estrada.
A iniciativa foi autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por meio da Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (SUROD), e faz parte de um projeto-piloto que também será realizado em outros estados brasileiros.
Em Minas Gerais, os testes foram autorizados em trechos das BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116. O período inicial previsto é de 180 dias, contado a partir da efetiva instalação dos equipamentos e do início do monitoramento. O prazo poderá ser prorrogado ou o experimento encerrado antes do previsto, conforme os resultados obtidos.
Onde os testes serão realizados em Minas Gerais?
Os documentos oficiais da ANTT já detalham alguns dos trechos autorizados.
- BR-050/MG
Na BR-050, a ECO050 foi autorizada a instalar o sistema entre os quilômetros 171+270 e 182+100, no sentido Sul, em um trecho de aproximadamente 10,83 quilômetros.
O trecho fica na região de Uberaba.
A autorização determina que o projeto tenha caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental.
- BR-381/MG
Na BR-381, o projeto será realizado no trecho entre os quilômetros 524+000 e 528+000, com extensão de 5 quilômetros.
A autorização foi concedida à Autopista Fernão Dias e também prevê 180 dias de experimento.
- BR-040/MG
Na BR-040, a autorização contempla dois segmentos:
* km 546+400 ao km 553+800, no sentido crescente — 7,40 km;
* km 552+020 ao km 547+110, no sentido decrescente — 4,91 km.
Os testes serão realizados pela EPR Via Mineira.
- BR-116/MG
Na BR-116, foram autorizados dois segmentos em Minas Gerais:
* km 499+435 ao km 507+760, sentido Sul — 8,3 km;
* km 711+315 ao km 700+705, sentido Norte — 10,6 km.
Os trechos fazem parte da área sob concessão da EcoRioMinas.
• Como funciona o radar de velocidade média?
O sistema é diferente do radar tradicional.
No modelo convencional, o equipamento registra a velocidade do veículo em um determinado ponto da rodovia.
No sistema de velocidade média, existem dois pontos de monitoramento.
O veículo é identificado no primeiro ponto e novamente no segundo. A tecnologia calcula:
distância percorrida ÷ tempo gasto = velocidade média
Por exemplo, se determinado trecho possui 10 quilômetros e o veículo percorre essa distância em um período inferior ao necessário para manter a velocidade regulamentada, o sistema consegue calcular que a velocidade média desenvolvida foi elevada.
A tecnologia, portanto, busca avaliar o comportamento do motorista ao longo de um trecho, e não somente no momento em que ele passa diante de um radar.
Segundo a ANTT, entre os objetivos do projeto estão avaliar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos usuários e o desempenho operacional do sistema.
Vai dar multa?
Não nesta fase de testes.
Esse é um dos principais pontos da iniciativa.
A ANTT determina expressamente que, durante o projeto-piloto, não poderão ser aplicadas autuações ou penalidades exclusivamente com base na velocidade média registrada pelo sistema.
Ou seja: o motorista não receberá uma multa simplesmente porque o equipamento calculou que ele percorreu o trecho com velocidade média acima do limite.
A própria ANTT classifica o projeto como técnico, educativo e experimental.
Isso, entretanto, não significa que outras infrações de trânsito deixem de ser fiscalizadas. A regra específica diz respeito à utilização da velocidade média registrada pelo projeto-piloto como fundamento para autuação.
Os motoristas serão avisados?
Sim.
As concessionárias responsáveis pelos trechos deverão instalar e manter sinalização informando os usuários sobre a realização do experimento.
A determinação aparece nas decisões da SUROD que autorizaram os projetos.
Portanto, os motoristas deverão ser informados de que estão entrando em uma área onde a tecnologia está sendo testada.
Por que testar esse tipo de radar?
Segundo a ANTT, o objetivo não é simplesmente instalar um novo equipamento de fiscalização, mas avaliar se a tecnologia é confiável e aplicável às rodovias concedidas.
Durante o experimento serão analisados diversos aspectos, como:
* funcionamento dos equipamentos;
* confiabilidade das informações;
* precisão dos dados;
* comportamento dos motoristas;
* desempenho operacional;
* funcionamento do sistema em condições reais de tráfego.
As concessionárias também deverão encaminhar relatórios mensais à SUROD com os resultados obtidos durante os testes.
Testes acontecem em oito estados
O projeto não ficará restrito a Minas Gerais.
A tecnologia pretende evitar o chamado “freia no radar”
Uma das diferenças práticas do sistema é que ele acompanha o veículo durante um trecho inteiro.
No modelo tradicional, um motorista pode reduzir a velocidade próximo ao equipamento e depois voltar a acelerar.
Com o controle de velocidade média, o cálculo considera o tempo necessário para percorrer a distância entre os dois pontos de monitoramento.
Assim, durante o projeto, a ANTT poderá observar se esse modelo produz mudanças no comportamento dos motoristas.
E depois dos 180 dias?
O projeto-piloto não significa que as multas por velocidade média passarão automaticamente a existir ao final do período.
A própria ANTT informa que o experimento será utilizado para avaliar a tecnologia e que uma eventual utilização futura com finalidade sancionatória dependerá de avaliações técnicas, regulatórias e jurídicas, além das autorizações necessárias.
Portanto, neste momento, o que existe é um teste autorizado, e não uma nova modalidade de multa já implantada em todo o país.
O que o motorista precisa saber
✔️ Radares de velocidade média serão testados em Minas Gerais.
✔️ Os testes abrangem BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116.
✔️ O período inicial é de 180 dias.
✔️ O sistema utiliza dois pontos de monitoramento para calcular o tempo de percurso e a velocidade média.
✔️ Os locais deverão ser sinalizados.
✔️ Nesta fase, não haverá multa baseada exclusivamente na velocidade média registrada pelo projeto.
✔️ Os resultados serão acompanhados pela ANTT.
✔️ O projeto poderá ser prorrogado ou encerrado antes do prazo.
✔️ Uma eventual utilização futura para aplicação de penalidades dependerá de novas avaliações e autorizações.
Atenção para quem viaja pelas rodovias mineiras
Embora o projeto esteja em fase experimental e não gere multa pela velocidade média, os limites de velocidade e as demais regras de trânsito continuam valendo normalmente. O motorista deve respeitar a sinalização existente e conduzir de acordo com as condições da via.







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