Pesquisadores da UFV descobrem novas espécies de insetos aquáticos na Mata Atlântica
- GUIA MIRAI

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Por Guia Miraí
Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) anunciaram a descoberta de três novas espécies de insetos aquáticos na Mata Atlântica brasileira. Os exemplares foram encontrados durante expedições científicas realizadas em áreas preservadas de Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, em Minas Gerais, e também em regiões de Santa Catarina.
A descoberta reforça a importância das unidades de conservação para a manutenção da biodiversidade e amplia o conhecimento científico sobre os organismos que vivem em ecossistemas de água doce.
Os insetos identificados pertencem à ordem Ephemeroptera, popularmente conhecidos como efemerópteros ou “moscas-de-maio”.
Esses insetos passam a maior parte do ciclo de vida na água, vivendo como ninfas em rios e córregos. Quando atingem a fase adulta, emergem para fora da água apenas para se reproduzir.
Uma característica marcante desse grupo é a curta duração da vida adulta: muitos indivíduos vivem apenas algumas horas ou poucos dias. Por isso, o nome da ordem deriva do grego ephemeros (efêmero) e pteron (asa).
Além de curiosos biologicamente, os efemerópteros são considerados importantes indicadores ambientais, pois sua presença geralmente indica boa qualidade da água.
Os cientistas descreveram três novas espécies pertencentes ao gênero Americabaetis:
• Americabaetis puri – encontrada em Minas Gerais, recebeu o nome em homenagem aos povos indígenas Puri, tradicionais da região da Serra do Brigadeiro.
• Americabaetis anapes – nome dado em reconhecimento à pesquisadora Ana Maria Pes, doutora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
• Americabaetis urubici – batizada em referência ao município catarinense de Urubici, onde a espécie foi coletada.
As amostras foram coletadas em três municípios brasileiros:
• Araponga (Minas Gerais)
• São Joaquim (Santa Catarina)
• Urubici (Santa Catarina)
A pesquisa foi conduzida pelos cientistas:
• Igor Ferreira Amaral
• Iâmara Pereira dos Santos
• Frederico Falcão Salles
Os pesquisadores realizaram coletas em riachos de altitude dentro da Serra do Brigadeiro, incluindo áreas próximas à Pedra do Pato, ponto localizado a cerca de 1.600 metros de altitude. Segundo o pesquisador Igor Amaral, antes de chegar ao local existe uma área conhecida como Piscinas da Pedra do Pato, onde uma cachoeira apresenta variações de volume ao longo das estações do ano.
De acordo com o gerente do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, Luiz Henrique de Mattos Lopes, a descoberta demonstra que a região mantém ecossistemas bem preservados.
Segundo ele, encontrar novas espécies em uma unidade de conservação é um indicativo de que os processos naturais e evolutivos continuam ocorrendo de forma saudável no ambiente.
Além disso, estudos como esse contribuem para:
• ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira;
• monitorar a qualidade dos ambientes aquáticos;
• orientar estratégias de conservação da Mata Atlântica.
Mesmo sendo um dos biomas mais estudados do Brasil, a Mata Atlântica ainda guarda inúmeras espécies desconhecidas pela ciência, principalmente entre organismos pequenos como insetos.
Pesquisas científicas em áreas preservadas continuam revelando novas formas de vida e mostrando que a biodiversidade brasileira ainda está longe de ser completamente catalogada.







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