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Mensagens indicam que Vorcaro consultou Moraes sobre deixar o Brasil dois dias antes de ser preso

Foto do escritor: GUIA MIRAI
GUIA MIRAI
1 de set.
3 min de leitura


Diálogos encontrados no celular do ex-dono do Banco Master apontam conversas sobre a investigação da Polícia Federal e possível prisão. Conteúdo é analisado no âmbito do caso Banco Master.

Por Guia Miraí


Novas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, colocaram novamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no centro das investigações envolvendo a instituição financeira.


Segundo informações divulgadas pelo Estado de S. Paulo e repercutidas nesta terça-feira (1º), mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que ele conversava com Moraes sobre o avanço da Operação Compliance Zero, investigação conduzida pela Polícia Federal.


De acordo com os relatos, as conversas começaram em 4 de novembro de 2025 e teriam se intensificado nos dias que antecederam a prisão do banqueiro. Investigadores avaliam que o conteúdo pode indicar que Vorcaro buscava informações sobre possíveis medidas da PF contra ele.


“Acha que segunda já tenho que estar fora?”


Um dos trechos que mais chamou a atenção dos investigadores ocorreu em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão.


Na ocasião, Vorcaro teria enviado a Moraes uma mensagem perguntando:


“Acha que segunda já tenho que estar fora?”


A mensagem fazia referência à possibilidade de deixar o Brasil diante do risco de prisão.


Além disso, segundo os relatos, em 16 de novembro, um dia antes da prisão, o banqueiro teria questionado o ministro sobre a possibilidade de uma medida policial ocorrer na manhã seguinte.


Prisão aconteceu dois dias depois


Na noite de 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.


Ele tentava embarcar em um jato particular com destino inicialmente a Malta e posteriormente a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.


A prisão ocorreu no âmbito da investigação que apurava suspeitas relacionadas ao Banco Master.


Conversas também mencionariam ações da Polícia Federal


As mensagens não tratariam apenas de uma possível prisão.


Segundo informações divulgadas pela imprensa, Vorcaro teria questionado Moraes sobre medidas que poderiam ser tomadas pela Polícia Federal, incluindo buscas e quebras de sigilo. Em outro momento, teria pedido que o ministro tentasse evitar ou adiar determinadas ações que poderiam atingir o Banco Master.


Um dos trechos divulgados mostra Vorcaro perguntando se havia alguma medida que pudesse ser “bloqueada”.


Investigadores avaliam que o conjunto das mensagens pode indicar que o banqueiro tinha informações antecipadas sobre movimentações da investigação. A origem e o contexto dessas informações estão entre os pontos que passaram a ser analisados.


Mendonça pediu aprofundamento da apuração


O conteúdo das mensagens chegou ao conhecimento do ministro André Mendonça, relator de parte das investigações relacionadas ao Banco Master no STF.


Mendonça determinou que a Polícia Federal elaborasse um relatório sobre as conversas e pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre os próximos passos.


A apuração envolve também referências feitas por Vorcaro ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.


Caso ganha novo peso após revelação de contrato milionário


As novas mensagens surgem no mesmo momento em que vieram a público informações sobre um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes.


Registros encontrados no celular de Vorcaro indicam ainda que um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” teria editado uma versão do contrato em janeiro de 2024.


O escritório confirmou que Moraes teve acesso ao documento, mas afirmou que ele foi consultado para verificar eventual impedimento legal para a contratação.


O que precisa ser esclarecido


As mensagens aumentam os questionamentos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro, principalmente pela proximidade temporal entre os diálogos e a prisão do banqueiro.


Até o momento, porém, a divulgação das mensagens não constitui, por si só, prova de que Alexandre de Moraes tenha cometido crime ou efetivamente interferido para impedir uma ação da Polícia Federal.


Também é necessário esclarecer o conteúdo completo das conversas, incluindo eventuais respostas de Moraes. Segundo informações publicadas pela Folha, parte das mensagens enviadas pelo ministro teria sido feita por meio de imagens de visualização única, o que dificulta a recuperação do conteúdo.


O caso agora está sob análise das autoridades, e a manifestação da PGR poderá definir os próximos passos da investigação.


A revelação coloca mais um elemento de pressão sobre o caso Banco Master e deverá aumentar o debate sobre os contatos entre autoridades públicas e o empresário investigado.

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