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Governo de Minas reduziu 96% das Verbas para prevenção de desastres em MG e vira alvo de críticas após tragédias das chuvas

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • 26 de fev.
  • 3 min de leitura

Por Guia Miraí


A redução drástica dos recursos destinados ao combate e à prevenção de desastres provocados pelas chuvas em Minas Gerais colocou o governo estadual no centro de uma intensa controvérsia. Dados orçamentários indicam que, em cerca de dois anos, a verba caiu de aproximadamente R$ 135 milhões para cerca de R$ 5,8 milhões — uma redução de 96%. O tema ganhou força após episódios recentes de enchentes e deslizamentos que deixaram mortos, desabrigados e cidades destruídas.


A gestão do governador Romeu Zema afirma que a leitura dos números isolados pode ser enganosa e que as ações de prevenção não se limitam a uma única rubrica orçamentária. Críticos, porém, apontam que o corte comprometeu a capacidade de resposta do Estado diante de eventos climáticos cada vez mais extremos.


Municípios da Zona da Mata, do Sul e da Região Metropolitana de Belo Horizonte registraram enxurradas, deslizamentos e colapso de encostas após períodos de chuva intensa. Em algumas localidades, ruas foram soterradas, casas destruídas e moradores perderam tudo em poucos minutos.


Especialistas em gestão de riscos afirmam que investimentos contínuos em drenagem, contenção de encostas, monitoramento e planejamento urbano são essenciais para reduzir danos humanos e materiais.


“Desastres naturais não podem ser evitados, mas seus impactos podem ser drasticamente reduzidos com prevenção”, avalia um pesquisador da área de defesa civil ouvido pela reportagem.


Levantamentos divulgados por veículos de imprensa mostram queda expressiva nas dotações destinadas especificamente ao programa estadual de prevenção e resposta a desastres hidrológicos.


Entre as ações afetadas estariam:

• Obras de contenção de encostas

• Sistemas de drenagem urbana

• Monitoramento de áreas de risco

• Estruturação da Defesa Civil

• Apoio a municípios vulneráveis


Analistas ressaltam que cortes nessa área tendem a produzir efeitos cumulativos — ou seja, os prejuízos aparecem anos depois, quando ocorrem eventos climáticos severos.


Em nota, o governo mineiro argumenta que:

• Recursos podem ter sido remanejados para outras secretarias ou programas

• Parte das ações é executada por meio de convênios federais e municipais

• Obras estruturais de maior porte seguem em andamento

• Situação fiscal do Estado impõe limites orçamentários


A administração também afirma que investiu em sistemas de alerta e planejamento emergencial, defendendo que a comparação direta entre anos não refletiria toda a política pública na área.


Parlamentares oposicionistas e entidades da sociedade civil sustentam que a magnitude do corte indica prioridade reduzida para prevenção. Eles cobram transparência sobre onde os recursos foram realocados e quais obras efetivamente saíram do papel.


Urbanistas e geólogos alertam que Minas Gerais possui relevo montanhoso, ocupação irregular em encostas e histórico de tragédias — fatores que exigem investimento permanente.


O aumento da intensidade das chuvas no Sudeste, associado às mudanças climáticas, eleva o risco de desastres. Episódios extremos têm se tornado mais frequentes, pressionando governos a reforçar políticas preventivas.


Segundo especialistas, cada real investido em prevenção pode economizar múltiplos valores em reconstrução e assistência emergencial.


Moradores de áreas atingidas relatam sensação de abandono e pedem soluções estruturais, não apenas ajuda emergencial após as tragédias.


“Todo ano é a mesma coisa. A chuva vem e a gente perde tudo de novo”, disse um residente de uma área de risco.


A redução de 96% na verba específica para combate aos efeitos das chuvas transformou-se em um dos principais pontos de debate sobre a gestão de riscos em Minas Gerais. Enquanto o governo sustenta que as ações continuam por outros meios, críticos afirmam que a queda de investimentos ajuda a explicar a vulnerabilidade do Estado diante de eventos climáticos extremos.


Com a temporada de chuvas recorrente e a tendência de fenômenos mais intensos, especialistas defendem que o tema deve permanecer no centro da agenda pública — não apenas após as tragédias, mas principalmente antes delas.

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