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Falta de caminhoneiros ameaça abastecimento e eleva risco de “apagão logístico” no Brasil

  • Foto do escritor: GUIA MIRAI
    GUIA MIRAI
  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

Por Guia Miraí


O Brasil pode enfrentar um grave “apagão logístico” nos próximos anos devido à escassez crescente de caminhoneiros. Dados recentes do setor apontam uma queda superior a 60% no número de condutores habilitados para veículos pesados na última década — um cenário que já começa a pressionar o transporte de cargas e o abastecimento nacional.


Segundo a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), o país tinha cerca de 3,5 milhões de motoristas profissionais em 2014. Hoje, esse contingente caiu para aproximadamente 1,3 milhão, revelando um esvaziamento acelerado da categoria.


Especialistas apontam que a principal causa da redução é o desinteresse das novas gerações pela carreira. Baixa remuneração, longas jornadas, insegurança nas estradas e condições de trabalho consideradas precárias figuram entre os fatores mais citados.


A idade média dos caminhoneiros ativos também aumentou e hoje gira em torno de 46 anos, evidenciando a falta de renovação. Empresas do setor relatam dificuldade crescente para contratar, com processos seletivos que antes duravam cerca de dois meses agora podendo se estender por até seis.


Além disso, o alto custo para obter habilitação nas categorias C, D ou E, somado às exigências legais e ao investimento necessário para ingressar na profissão, funciona como barreira adicional para novos profissionais.


Outro ponto crítico é a segurança nas rodovias. O roubo de cargas continua sendo uma preocupação constante, principalmente em corredores logísticos de grande circulação. A escassez de pontos de apoio adequados — como áreas seguras para descanso, alimentação e higiene — agrava ainda mais a situação.


Caminhoneiros também enfrentam aumento contínuo nos custos operacionais, incluindo combustível, manutenção e pedágios, muitas vezes sem reajustes proporcionais no valor dos fretes.


A crise de mão de obra revela uma fragilidade estrutural da economia brasileira: a forte dependência do transporte rodoviário. Atualmente, cerca de dois terços de toda a carga movimentada no país é transportada por caminhões.


Com menos motoristas disponíveis, a tendência é de aumento no preço do frete, o que impacta diretamente o custo final dos produtos. Setores como agronegócio, indústria e varejo podem enfrentar atrasos, encarecimento logístico e dificuldades de distribuição.


Em cenários mais críticos, especialistas alertam para risco de desabastecimento regional de combustíveis, alimentos e insumos industriais.


Representantes do setor defendem medidas urgentes para tornar a profissão mais atrativa, como incentivos à formação de novos motoristas, melhoria da segurança nas estradas, ampliação da infraestrutura de apoio e revisão das condições de trabalho e remuneração.


Sem ações estruturais, a tendência é que o déficit de profissionais se aprofunde nos próximos anos, comprometendo a eficiência logística e a competitividade da economia brasileira.

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