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Excesso e até falta de sal pode afetar a memória, aponta estudo

Foto do escritor: GUIA MIRAI
GUIA MIRAI
há 6 horas
3 min de leitura

Pesquisa publicada na revista Food Research International encontrou alterações cognitivas em camundongos submetidos a dietas com níveis extremos de sal


Por Guia Miraí

(Fonte: Food Research International)


Um estudo recente chamou a atenção para uma relação pouco conhecida entre a quantidade de sal consumida e o funcionamento do cérebro. Pesquisadores observaram que tanto uma dieta com sal em excesso quanto uma restrição severa estiveram associadas a prejuízos de memória em camundongos. O trabalho foi publicado na revista científica Food Research International em 2026.


A pesquisa investigou a chamada conexão intestino-cérebro, sistema pelo qual alterações no intestino e em seus microrganismos podem influenciar processos neurológicos.


O que os pesquisadores fizeram?


Os experimentos utilizaram camundongos que receberam uma microbiota intestinal de origem humana. Durante 14 semanas, os animais foram divididos em três grupos, submetidos a dietas com diferentes concentrações de sal:


* Baixo teor: 0,1% de sal;

* Teor considerado normal: 0,5%;

* Alto teor: 8%.


Os pesquisadores avaliaram posteriormente diferentes aspectos do comportamento e da memória dos animais, incluindo memória de curto prazo, memória de reconhecimento e orientação espacial.


Os animais submetidos às duas dietas extremas apresentaram desempenho inferior aos do grupo que recebeu a quantidade considerada normal no experimento.


Dois caminhos diferentes podem estar envolvidos


Apesar de produzirem resultados semelhantes nos testes de memória, os pesquisadores identificaram mecanismos diferentes.


No grupo que recebeu pouco sal, foram observadas alterações em proteínas importantes para o funcionamento das conexões entre os neurônios no hipocampo, região cerebral fundamental para a formação e consolidação de memórias.


Já nos animais que consumiram muito sal, foram observados sinais relacionados a inflamação e alterações na microbiota intestinal, além de mudanças em metabólitos produzidos pelas bactérias do intestino.


Entre as moléculas e proteínas analisadas estavam SY1, PSD95 e BDNF, relacionadas à comunicação entre neurônios e à plasticidade cerebral, além da atividade de CREB, mecanismo envolvido na formação de memórias.


A importância do intestino


Um dos pontos de destaque do trabalho é justamente a participação da microbiota intestinal.


No grupo submetido à dieta com muito sal, os pesquisadores identificaram redução de substâncias produzidas pela microbiota, como propionato e butirato, acompanhada de alterações inflamatórias.


Estudos anteriores também já haviam encontrado relações entre dietas muito ricas em sal, alterações da microbiota e prejuízos de memória em modelos animais.


Resultado não significa que o sal deva ser eliminado


Apesar dos resultados, é importante evitar uma interpretação equivocada.


O estudo foi realizado em camundongos, e as quantidades utilizadas nas dietas experimentais são extremas e não correspondem diretamente ao consumo habitual de sal de uma pessoa.


Além disso, a relação entre consumo de sódio e função cognitiva em seres humanos ainda não está completamente estabelecida. Uma revisão publicada em 2026 destaca que os resultados são mais consistentes em estudos com animais, enquanto as evidências em humanos permanecem menos claras.


Por outro lado, já existem estudos observacionais em humanos investigando essa relação. Uma pesquisa longitudinal publicada em 2026, com 1.208 adultos mais velhos inicialmente sem comprometimento cognitivo, encontrou associação entre maior consumo de sódio e maior declínio de memória episódica entre os homens avaliados, mas não observou a mesma associação no conjunto total da amostra ou entre as mulheres.


O excesso de sal continua sendo uma preocupação para a saúde


Independentemente dos efeitos sobre a memória, o consumo excessivo de sódio já é reconhecido como um fator relacionado a problemas cardiovasculares, especialmente por sua relação com a pressão arterial.


Por isso, a pesquisa reforça a importância de uma alimentação equilibrada, sem transformar o resultado em uma recomendação para cortar completamente o sal da alimentação.


Em resumo


O estudo sugere que extremos na ingestão de sal podem prejudicar funções cognitivas em camundongos, possivelmente por diferentes mecanismos envolvendo o cérebro e o intestino. Entretanto, ainda são necessárias pesquisas para determinar exatamente como esses resultados se aplicam à população humana.

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