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Europa aumenta preparação militar e civil em meio à escalada entre Rússia e Ucrânia; há risco de uma Terceira Guerra Mundial?

Foto do escritor: GUIA MIRAI
GUIA MIRAI
há 1 dia
4 min de leitura

Por Guia Miraí

(Fontes: autoridades suíças, Forças Armadas da Dinamarca, OTAN e informações de Reuters, AP e Le Monde)


Medidas adotadas por diferentes países europeus, ataques com drones e acusações de ações híbridas russas elevaram o nível de preocupação. Ao mesmo tempo, a OTAN afirma que não identifica uma ameaça iminente de ataque militar russo contra seus integrantes.


A Europa atravessa um período de forte tensão geopolítica provocado pela continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia e pelo aumento de episódios envolvendo drones, ataques cibernéticos, sabotagem e outras ações classificadas por governos europeus como ameaças híbridas.


O cenário voltou a ganhar destaque nos últimos dias depois que diversos países anunciaram medidas para reforçar a segurança de suas populações e de infraestruturas consideradas estratégicas. A movimentação alimentou nas redes sociais questionamentos sobre a possibilidade de uma escalada que pudesse levar a um conflito de proporções ainda maiores.


Entretanto, as medidas de preparação adotadas pelos governos não significam que uma Terceira Guerra Mundial esteja prestes a começar.


Países europeus reforçam preparação


A Suíça aprovou, em 18 de setembro, sua Estratégia de Segurança 2026, estabelecendo 10 objetivos e 46 medidas. O governo suíço afirma que a situação internacional ficou mais instável e que ameaças híbridas, como ataques cibernéticos, espionagem, sabotagem e desinformação, aumentaram.


O documento suíço, porém, faz uma ressalva importante: segundo a própria estratégia, um ataque armado direto contra o país é considerado improvável no futuro previsível, embora o governo queira ampliar a capacidade de resposta a possíveis ataques à distância, inclusive com drones e mísseis.


Na França, o presidente Emmanuel Macron determinou a elaboração de um plano para proteger infraestruturas críticas diante do que classificou como intensificação das ameaças híbridas atribuídas à Rússia.


A Alemanha também vem ampliando a preparação de estruturas de saúde e defesa para diferentes cenários de crise. A própria Bundeswehr publicou recentemente informações relacionadas à capacidade de hospitais militares e atendimento de emergência.


Incidente envolvendo navio russo


Outro episódio que chamou atenção aconteceu na Dinamarca.


Segundo as Forças Armadas dinamarquesas, em 14 de setembro, um helicóptero Fennec realizava uma missão de fotografia de uma fragata russa em águas internacionais próximas a Gedser quando a embarcação disparou dois sinalizadores (flares) em direção ao helicóptero. Um deles passou a curta distância da aeronave.


O episódio aumentou a atenção sobre a atividade militar no Mar Báltico, região considerada estratégica para a segurança europeia.


Ataque de grandes proporções contra Moscou


A tensão também aumentou após um dos maiores ataques ucranianos com drones contra território russo.


Na madrugada de 20 de setembro, autoridades russas relataram uma grande ofensiva de drones contra Moscou e outras regiões. A prefeitura da capital afirmou que centenas de drones foram interceptados, enquanto autoridades ucranianas confirmaram ataques contra estruturas consideradas importantes para o esforço de guerra russo.


Uma refinaria de petróleo em Moscou foi atingida e sofreu danos. Segundo informações divulgadas posteriormente, o processamento de petróleo da unidade foi interrompido após o ataque.


O ataque também provocou restrições temporárias em aeroportos da região de Moscou e afetou centenas de voos.


O que é uma “guerra híbrida”?


O termo guerra híbrida é utilizado para descrever ações que combinam instrumentos militares e não militares.


Entre os exemplos estão:


* ataques cibernéticos;

* sabotagem de infraestrutura;

* espionagem;

* operações com drones;

* campanhas de desinformação;

* interferência em sistemas de comunicação;

* operações clandestinas.


Governos europeus vêm atribuindo algumas dessas atividades à Rússia. Moscou rejeita acusações de envolvimento em operações de sabotagem e ataques na Europa.


Macron alerta para aumento das ameaças


Em reunião realizada em Paris, Macron afirmou que as ações híbridas russas contra países europeus estariam se intensificando e determinou medidas para proteger infraestruturas críticas francesas.


O governo francês também relacionou o cenário a episódios recentes envolvendo drones e suspeitas de sabotagem em diferentes pontos da Europa.


O que diz a Rússia?


O presidente Vladimir Putin nega que a Rússia tenha planos de atacar países europeus. Autoridades russas também afirmam que acusações ocidentais fazem parte da disputa política em torno da guerra na Ucrânia.


Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, já declarou que o envio de tropas europeias para a Ucrânia seria interpretado por Moscou como uma escalada grave.


E a OTAN?


Esse é um dos pontos mais importantes para entender o cenário.


Apesar do aumento das tensões, a OTAN declarou que não identifica, neste momento, uma ameaça iminente de ataque militar russo contra seus membros. A aliança, porém, reconhece o aumento das chamadas atividades híbridas e mantém seus países em estado de atenção.


A própria OTAN também vem defendendo maior preparação da população e dos serviços essenciais para situações de crise, incluindo energia, água, alimentação, comunicação e saúde.


Afinal, a Europa está se preparando para uma Terceira Guerra Mundial?


Os fatos indicam que os países europeus estão aumentando sua preparação para diferentes cenários de segurança, mas isso não equivale a uma confirmação de que uma Terceira Guerra Mundial esteja prestes a acontecer.


O que existe atualmente é uma combinação de fatores: guerra prolongada na Ucrânia, ataques de drones em território russo e ucraniano, aumento das preocupações com sabotagem e ataques cibernéticos, reforço militar dos países europeus e maior preocupação com a proteção de infraestruturas críticas.


Ao mesmo tempo, permanece um elemento importante de contenção: uma guerra direta entre Rússia e países da OTAN teria consequências extremamente graves, especialmente porque envolve potências nucleares. Por isso, governos e organizações internacionais continuam buscando evitar que os confrontos ultrapassem os limites atuais.


O cenário, portanto, é de tensão elevada e preparação para possíveis crises, mas as informações disponíveis não sustentam afirmar que uma Terceira Guerra Mundial seja iminente.

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