De 455 lojas a Recuperação Judicial: Ponto Frio encolhe operação e entra no processo de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia


Rede que chegou a ter centenas de lojas no país agora enfrenta fechamento de unidades, redução da operação e uma recuperação judicial com dívidas bilionárias
Por Guia Miraí
(Fonte: Folha de S.Paulo)
Uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro, o Ponto Frio atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. A rede faz parte do Grupo Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial em agosto de 2026, declarando R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas ao processo. Considerando também créditos que ficam fora da recuperação judicial, o endividamento total informado supera R$ 27,8 bilhões.
O processo envolve dez empresas do grupo, entre elas as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além do Extra.com e da fabricante de móveis Bartira. A companhia informou à Justiça que busca reorganizar seus passivos e preservar a continuidade das operações.
De centenas de lojas a uma operação muito menor
O Ponto Frio teve uma trajetória de expansão no varejo brasileiro e chegou a 455 lojas em 2009, ano em que passou a integrar uma estrutura conjunta com a então Casas Bahia.
Com o passar dos anos, porém, a marca perdeu espaço dentro da estratégia do grupo. Dados divulgados no pedido de recuperação judicial mostram que atualmente o Ponto Frio possui mais de 65 lojas físicas, enquanto a Casas Bahia mantém mais de 700 unidades.
A redução ocorreu em meio a sucessivos processos de reestruturação, fechamento de unidades e mudanças na estratégia comercial da companhia.
Quase 300 lojas fechadas
A crise se intensificou em 2026. Antes mesmo do pedido de recuperação judicial, o grupo confirmou o fechamento de 298 lojas, como parte de um processo de redução de custos e adequação do tamanho da operação à realidade financeira da empresa.
O grupo também informou cortes no quadro de funcionários. No pedido apresentado à Justiça, foram mencionadas cerca de 3 mil demissões entre os mais de 30 mil trabalhadores da companhia.
Prejuízo bilionário
A situação financeira também se agravou com o resultado do segundo trimestre de 2026. O Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 10,1 bilhões no período, segundo os dados divulgados pela companhia.
Entre os fatores apontados pela empresa estão o elevado custo financeiro, juros altos, restrição de crédito e dificuldades para obter recursos no mercado.
A recuperação judicial funciona como um mecanismo para permitir a reorganização das dívidas e a negociação com os credores. A companhia afirma que o objetivo é preservar a operação e buscar uma estrutura financeira sustentável.
E o futuro do Ponto Frio?
Apesar do cenário de forte redução da rede, o pedido de recuperação judicial não significa, por si só, o fim do Ponto Frio. A marca continua pertencendo ao Grupo Casas Bahia e está incluída no processo de reestruturação.
O futuro da rede dependerá da execução do plano de recuperação, das negociações com os credores e das decisões estratégicas que serão tomadas pelo grupo ao longo do processo.
A história do Ponto Frio, portanto, chega a um momento decisivo: de uma rede que já teve centenas de lojas espalhadas pelo Brasil, a marca agora enfrenta uma operação muito menor dentro de um grupo que tenta se reorganizar financeiramente.







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