Conta de luz pode ter alta média de 9,4% em 2026, aponta ANEEL


Projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica supera as estimativas de inflação para o ano; impacto final varia conforme a distribuidora e o processo tarifário de cada região
Por Guia Miraí
(Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica-ANEEL)
A conta de energia elétrica pode ficar mais cara para os consumidores brasileiros em 2026. A terceira edição do boletim InfoTarifas, divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) nesta sexta-feira (18), aponta uma elevação média de 9,4% nas tarifas de energia elétrica no país neste ano.
O percentual projetado pela agência está acima das estimativas de inflação mencionadas no próprio boletim: 5% pelo IPCA e 4,4% pelo IGP-M. Isso significa que a projeção média das tarifas supera esses dois índices, embora o impacto efetivamente sentido pelo consumidor dependa da distribuidora e do processo tarifário específico.
R$ 5,5 bilhões para reduzir impactos
A estimativa divulgada pela ANEEL já considera aproximadamente R$ 5,5 bilhões destinados às distribuidoras que atuam nas áreas de abrangência da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Os recursos são provenientes da repactuação de obrigações relacionadas ao Uso de Bem Público (UBP) de usinas hidrelétricas e foram direcionados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O objetivo é reduzir e equilibrar os impactos tarifários para consumidores do mercado regulado nessas regiões.
A ANEEL também estabeleceu um mecanismo chamado Efeito Tarifário Limite Equilibrado (ETLEP), com percentual de 6,53%, para distribuir os benefícios de maneira mais equilibrada entre as concessionárias contempladas.
Alta média não significa aumento igual para todos
Apesar do número de 9,4%, a ANEEL ressalta que se trata de um efeito médio nacional. A conta de cada consumidor não necessariamente terá esse mesmo percentual de aumento.
Os reajustes são definidos individualmente nos processos tarifários de cada distribuidora, considerando diferentes componentes, como custos de geração e transmissão, encargos setoriais, subsídios e outros fatores.
Em alguns casos, inclusive, houve redução de tarifas. Em agosto, por exemplo, a ANEEL determinou reduções para consumidores de baixa tensão atendidos por distribuidoras do Norte e Nordeste, com impactos que chegaram a 10,63% de redução em uma das concessionárias.
Bandeira tarifária também influencia a conta
Outro componente que pode alterar o valor pago pelo consumidor são as bandeiras tarifárias. Em setembro de 2026, a ANEEL manteve a bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
A agência informa ainda que o boletim InfoTarifas acompanha a evolução das tarifas, bandeiras, subsídios e outros fatores que podem influenciar os valores cobrados dos consumidores.
O que o consumidor deve observar
Para saber quanto a conta de luz pode aumentar especificamente em determinada cidade, é necessário verificar qual é a distribuidora responsável pelo atendimento e qual foi o reajuste ou revisão tarifária homologado pela ANEEL para aquela área.
Portanto, os 9,4% não representam um reajuste automático de 9,4% para todas as contas de luz do Brasil, mas sim a projeção do efeito médio das tarifas em 2026.







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