China passa a cobrar sobretaxa de 55% sobre carne bovina brasileira após cota de importação ser atingida


Medida chinesa vale para volumes que ultrapassarem o limite anual de 1,106 milhão de toneladas; tarifa adicional se soma à alíquota de importação de 12%
Por Guia Miraí
(Fonte: Reuters)
A China confirmou que o Brasil atingiu a cota anual estabelecida para a importação de carne bovina em 2026. Com isso, os embarques que ultrapassarem o limite passarão a sofrer uma sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação já existente.
A cota destinada ao Brasil foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. O limite foi oficialmente alcançado em 29 de setembro, segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas.
A medida faz parte de um mecanismo de salvaguarda comercial adotado pela China para proteger seus produtores de carne bovina. A sobretaxa não significa uma cobrança de 55% sobre todas as exportações brasileiras para o país: ela incide sobre os volumes que ultrapassarem a cota estabelecida.
Impacto para o Brasil
A decisão preocupa o setor brasileiro porque a China é o principal mercado da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático importou cerca de 1,68 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, volume correspondente a aproximadamente 48% das exportações brasileiras do produto naquele ano.
Com a nova tarifa, os embarques que excederem a cota ficam sujeitos à tarifa adicional de 55%, somada à alíquota de importação de 12%. Na prática, isso aumenta significativamente o custo para a entrada da carne brasileira no mercado chinês.
Governo busca alternativas
Diante do esgotamento da cota, o governo brasileiro vem buscando alternativas para evitar uma redução ainda maior das exportações.
Uma das possibilidades envolve a utilização de parte da cota não utilizada pelo Uruguai, iniciativa que recebeu autorização uruguaia, mas que ainda depende da concordância das autoridades chinesas para que o mecanismo possa ser efetivamente utilizado pelos exportadores brasileiros.
O setor também trabalha na abertura e ampliação de outros mercados consumidores, incluindo países da Ásia e outros destinos internacionais.
A medida chinesa está prevista dentro do sistema de salvaguardas que deverá permanecer em vigor até 2028, com aumento gradual das cotas nos próximos anos. Para 2027, a cota brasileira está prevista em aproximadamente 1,128 milhão de toneladas.







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