BRASILEIRA CRIA APARELHO QUE ACELERA A CICATRIZAÇÃO DE FERIDAS EM DIABÉTICOS E EVITA AMPUTAÇÕES
- GUIA MIRAI

- 28 de out. de 2025
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Por Guia Miraí
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) está prestes a revolucionar o tratamento do chamado “pé diabético” no Brasil — uma das complicações mais graves do diabetes, caracterizada por feridas e úlceras nos pés que, em casos avançados, podem levar à amputação de membros inferiores.

O projeto, batizado de Rapha, é coordenado pela professora Suélia Rodrigues, pesquisadora do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e docente do curso de Engenharia Biomédica da UnB. O dispositivo promete acelerar a regeneração de tecidos e evitar amputações em pacientes com feridas crônicas.
O equipamento combina lâminas de látex com emissores de luz LED, permitindo o tratamento de feridas tanto em hospitais quanto em casa, de forma simples, segura e acessível.
A fabricação será realizada pela Life Care Medical, empresa parceira do projeto, que já obteve certificação do Inmetro e está em fase final de registro junto à Anvisa.

A previsão é que o Rapha chegue ao mercado ainda neste semestre, após aprovação final da agência sanitária. Estima-se que, atualmente, o pé diabético cause cerca de 50 mil amputações por ano no Brasil — um número que o novo dispositivo pretende ajudar a reduzir drasticamente.
O projeto nasceu a partir da tese de doutorado de Suélia Rodrigues, iniciada em 2005, com foco em biomateriais voltados à regeneração de tecidos. Durante as pesquisas, foi descoberto que o látex natural possui propriedades que estimulam a reconstrução celular.
Em 2009, o estudo ganhou o nome Rapha, em referência a São Rafael, o “anjo da cura”, símbolo que representa a proposta de regeneração e proteção do equipamento.
Mais do que um avanço científico, o Rapha é considerado uma inovação social e econômica. Segundo a professora Suélia, o dispositivo foi projetado para ser acessível, de fácil uso e com componentes 100% nacionais, incluindo bioativos extraídos da seringueira brasileira — o que fortalece a agricultura familiar e valoriza a produção sustentável no país.
A médica Camille Rodrigues da Silva, que participou da consultoria regulatória do projeto, destacou que o diferencial do Rapha está na combinação entre eficiência e acessibilidade.
“A úlcera do pé diabético é a principal causa de amputação nessa população, e os tratamentos disponíveis são caros e pouco eficazes. O Rapha chega para democratizar o acesso a uma tecnologia capaz de transformar vidas”, afirmou.
Com o início da produção nacional e a expectativa de liberação comercial ainda neste ano, o equipamento pode representar um marco para o SUS e para a medicina regenerativa no Brasil. A proposta alia ciência, tecnologia e inclusão, oferecendo uma alternativa promissora para milhares de pacientes diabéticos que sofrem com feridas crônicas e risco de amputações.









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