Brasil atinge nível alarmante de crianças desaparecidas e expõe falhas estruturais na proteção infantil
- GUIA MIRAI

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Por Guia Miraí
O Brasil vive uma crise silenciosa e persistente no que diz respeito ao desaparecimento de crianças e adolescentes. Dados recentes revelam que, apenas entre janeiro e abril do ano passado, 7.731 crianças desapareceram no país. O número se torna ainda mais preocupante quando analisado em perspectiva: mais de 90 mil casos foram registrados nos últimos quatro anos, sendo que cerca de 34 mil crianças ainda não foram localizadas.
Segundo informações consolidadas por especialistas e dados oficiais do Ministério da Justiça, o Brasil registra, em média, 57 desaparecimentos de crianças por dia. A maioria dos casos envolve menores em situação de vulnerabilidade social, residentes em áreas marcadas por pobreza, violência, evasão escolar e ausência de políticas públicas contínuas.
Especialistas apontam que o desaparecimento infantil no Brasil não é um fenômeno isolado, mas sim resultado de uma combinação de fatores estruturais. Entre os principais estão conflitos familiares, exploração sexual, aliciamento por organizações criminosas, tráfico humano, violência doméstica e negligência. Crianças negras e de comunidades periféricas aparecem de forma desproporcional nas estatísticas, o que evidencia desigualdades históricas no acesso à proteção e aos serviços do Estado.
Além disso, muitos casos sequer entram nos registros oficiais de forma adequada. Famílias enfrentam dificuldades para registrar ocorrências, há falhas na integração entre bancos de dados estaduais e federais, e a busca inicial — considerada crucial nas primeiras horas após o desaparecimento — muitas vezes é tardia ou ineficiente.
Outro ponto de alerta envolve o ambiente digital. Plataformas online, redes sociais e aplicativos de mensagens vêm sendo utilizados tanto como ferramentas de aliciamento quanto de exploração. O comentarista Paulo Alceu chama atenção para a necessidade de maior fiscalização do uso da internet, especialmente no que se refere à atuação de redes criminosas que se aproveitam da exposição de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Segundo ele, a ausência de regulação eficaz e de educação digital amplia os riscos, sobretudo para crianças que passam longos períodos online sem supervisão adequada.
Apesar da gravidade dos números, o Brasil ainda carece de uma política nacional integrada e permanente para prevenção e enfrentamento do desaparecimento infantil. Especialistas defendem ações que vão além da investigação policial, incluindo:
• fortalecimento da assistência social e da rede de proteção à infância;
• campanhas contínuas de conscientização para famílias, escolas e comunidades;
• capacitação de profissionais da segurança pública e da saúde;
• integração de bancos de dados e protocolos rápidos de busca;
• investimento em educação digital e proteção online.
Organizações da sociedade civil também alertam para o impacto psicológico devastador sobre as famílias, que convivem por anos com a incerteza, a ausência de respostas e a falta de apoio psicológico e jurídico.
O desaparecimento de crianças no Brasil não pode ser tratado como estatística isolada ou tragédia pontual. Trata-se de um problema estrutural, que revela falhas na proteção social, na prevenção da violência e na garantia de direitos fundamentais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Enquanto milhares de famílias seguem à espera de respostas, especialistas reforçam que enfrentar essa crise exige vontade política, investimento público e mobilização da sociedade. Sem isso, o país corre o risco de normalizar uma realidade que deveria ser inaceitável: o desaparecimento diário de suas crianças.









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