Banco Master declarou pagamentos a Temer, ACM Neto, Rueda e Lewandowski
- GUIA MIRAI

- há 14 horas
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Relatórios da Receita Federal apontam repasses milionários do Banco Master a políticos, advogados e empresas ligadas a figuras públicas

Por Guia Miraí
Documentos da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado revelam uma série de pagamentos milionários realizados pelo Banco Master a escritórios de advocacia, consultorias e empresas associadas a figuras públicas e políticas de destaque no país. Os dados, obtidos pelo portal Metrópoles, abrangem principalmente o período entre 2022 e 2025 e levantam questionamentos sobre a natureza e a finalidade desses repasses.
Entre os nomes citados está o ex-presidente Michel Temer, cujo escritório de advocacia teria recebido cerca de R$ 10 milhões apenas em 2025 provenientes da instituição financeira. Também aparecem registros de pagamentos relacionados ao advogado e jurista Walfrido Warde (Rueda), com valores que somam R$ 6,4 milhões em 2023.
Outro destaque é a empresa de consultoria ligada a ACM Neto, que teria recebido aproximadamente R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025. Já o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça, Ricardo Lewandowski, também figura na lista, com repasses que totalizam R$ 5,93 milhões no mesmo período, destinados ao seu escritório de advocacia após deixar o STF.
Os relatórios ainda indicam pagamentos expressivos a empresas vinculadas à família Massa, do apresentador Ratinho. Duas companhias do grupo teriam recebido, juntas, cerca de R$ 24 milhões entre 2022 e 2025. A maior parte — R$ 21 milhões — foi direcionada à Massa Intermediação, enquanto a Gralha Azul Empreendimentos e Participações recebeu R$ 3 milhões em 2022. Ratinho, além de apresentador de TV, também atuou como garoto-propaganda de um produto financeiro do banco, o CredCesta.
Outro nome citado é o do ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten. Segundo os documentos, sua empresa recebeu cerca de R$ 3,8 milhões do Banco Master em 2025. Em declaração ao Metrópoles, Wajngarten afirmou que foi convidado a integrar a defesa do caso no ano anterior.
Diante da repercussão, o Banco Master, por meio de seu presidente do conselho do União Brasil, afirmou que não reconhece a veracidade das informações divulgadas quando baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilegal. A instituição também sustentou que todos os serviços jurídicos contratados são legítimos e seguem a legislação vigente.
Já Ricardo Lewandowski declarou que seu retorno à advocacia após deixar o Supremo é público e amplamente conhecido, reforçando que suas atividades profissionais seguem os parâmetros legais e éticos.
Os dados foram encaminhados à CPI do Crime Organizado, que deverá analisar a legalidade e a motivação dos pagamentos, bem como possíveis conexões com investigações em curso. Especialistas apontam que, embora a contratação de serviços jurídicos e consultorias seja prática comum no meio empresarial, os valores elevados e a concentração de pagamentos em figuras públicas podem justificar maior escrutínio por parte das autoridades.
O caso ainda está em fase inicial de apuração, e não há, até o momento, conclusão oficial sobre irregularidades. No entanto, a divulgação dos relatórios amplia o debate sobre transparência, governança e relações entre instituições financeiras e agentes políticos no Brasil.
A expectativa é que novas informações surjam com o avanço das investigações parlamentares, podendo trazer mais clareza sobre os contratos firmados e os serviços efetivamente prestados.







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