Anvisa autoriza testes em humanos da primeira vacina brasileira contra a malária


Desenvolvida por pesquisadores da UFMG, a vacina Vivaxin será avaliada inicialmente em 48 voluntários. Estudo vai investigar a segurança do imunizante e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica.
Por Guia Miraí
(Fonte: Agência Brasil – EBC)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida por pesquisadores do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax.
A autorização foi anunciada no sábado (10) e representa um avanço nas pesquisas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de imunizantes contra uma doença que ainda representa um importante desafio de saúde pública.
De acordo com as informações divulgadas pela Agência Brasil, a primeira etapa do estudo clínico contará com 48 voluntários, com idades entre 18 e 59 anos, sem infecção prévia pelo parasita.
Durante essa fase, os pesquisadores vão avaliar a segurança da vacina, possíveis reações após a aplicação e a capacidade do imunizante de estimular uma resposta do sistema imunológico. Os participantes terão acompanhamento clínico por 360 dias.
A autorização para os testes, entretanto, não significa que a vacina já esteja disponível para a população. O imunizante ainda precisará passar pelas etapas de pesquisa e avaliação necessárias antes de uma eventual aprovação para uso.
Por que a vacina é importante?
A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego.
Nas Américas, o Plasmodium vivax é uma das principais espécies responsáveis pela doença. Além de provocar febre, calafrios, dor de cabeça e mal-estar, a infecção pode apresentar recaídas, pois o parasita consegue permanecer no fígado após a fase inicial da doença.
O desenvolvimento de uma vacina específica contra essa espécie é considerado um desafio científico importante, devido às características biológicas do parasita e à complexidade da resposta imunológica humana.
Vacinas existentes são voltadas a outra espécie
Atualmente, as vacinas contra a malária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são direcionadas principalmente ao Plasmodium falciparum, espécie responsável pela maior parte dos casos graves e das mortes pela doença, sobretudo na África.
A Vivaxin tem como objetivo avançar no combate ao Plasmodium vivax, que possui características diferentes e predomina em diversas regiões das Américas e da Ásia.
Caso os resultados dos estudos sejam positivos, a pesquisa poderá contribuir para ampliar as estratégias de prevenção da malária e fortalecer a capacidade científica brasileira no desenvolvimento de vacinas.
Malária continua sendo um desafio no Brasil
A doença apresenta maior concentração de casos na Região Amazônica, onde fatores ambientais e sociais favorecem a transmissão. Segundo os dados mencionados pelo Ministério da Saúde na publicação, o Brasil registrou 118.037 casos de malária em 2025.
O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para reduzir complicações e interromper a transmissão. Enquanto novas tecnologias são pesquisadas, medidas de prevenção contra a picada do mosquito continuam sendo importantes.
Próximas etapas
O estudo clínico da Vivaxin deverá fornecer os primeiros dados sobre a segurança do imunizante em seres humanos. Os resultados serão fundamentais para orientar as próximas fases da pesquisa, que poderão avaliar outros aspectos, incluindo a eficácia da vacina.
A autorização da Anvisa marca um passo importante para a ciência brasileira, mas ainda será necessário cumprir os requisitos científicos e regulatórios antes de qualquer possível disponibilização do imunizante.







Comentários