Buraco na camada de ozônio tem menor tamanho em 5 anos e fecha mais cedo: o que isso significa (e o que ainda preocupa)
- GUIA MIRAI

- 3 de dez.
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Por Guia Miraí
O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida em 2025 registrou o menor tamanho desde 2019 e também apresentou um fechamento mais precoce do que nos últimos cinco anos, de acordo com dados do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, da União Europeia. A leitura foi tratada como um “sinal tranquilizador” por especialistas do observatório europeu, por refletir um avanço consistente na recuperação da camada de ozônio, impulsionada principalmente pela restrição global de substâncias que a destroem.
Apesar do resultado positivo, cientistas alertam que a recuperação é gradual, depende de fatores meteorológicos e químicos na estratosfera e não elimina riscos: oscilações anuais são esperadas e eventos extremos (como resfriamento intenso na estratosfera) podem ampliar temporariamente o rombo.
Segundo o Copernicus, o buraco de ozônio antártico em 2025:
• foi o menor desde 2019, com extensão de cerca de 21,08 milhões de km²;
• fechou mais cedo do que em qualquer um dos cinco anos anteriores;
• apresentou também um déficit estimado de 20,49 milhões de toneladas de ozônio, abaixo da média histórica recente (1979–2022).
Em nota, Laurence Rouil, diretora do serviço do observatório europeu, afirmou que o tamanho relativamente pequeno e o fechamento antecipado são um sinal de progresso contínuo observado na recuperação da camada de ozônio, especialmente após a proibição das substâncias destruidoras do ozônio.
A camada de ozônio fica na estratosfera e funciona como um escudo que limita a quantidade de radiação ultravioleta (UV) que chega à superfície. Quando há um “buraco” (na prática, uma forte redução sazonal do ozônio sobre a Antártica), parte dessa proteção diminui, elevando riscos como:
• aumento de câncer de pele e catarata;
• impactos sobre o sistema imunológico;
• danos a plantas, fitoplâncton e cadeias alimentares;
• efeitos em materiais e infraestrutura expostos ao UV.
Um buraco menor e mais curto tende a significar menos tempo e área sob níveis anormais de UV naquela região e períodos associados.
A recuperação global do ozônio é um dos exemplos mais robustos de cooperação ambiental internacional. O principal motor dessa melhora foi o controle e a eliminação progressiva de compostos como CFCs (clorofluorcarbonos) e outras substâncias halogenadas, que liberam cloro e bromo na estratosfera e aceleram a destruição do ozônio.
Essas moléculas, porém, são muito persistentes: mesmo com a redução de emissões, elas permanecem na atmosfera por décadas. Por isso, a melhora aparece como tendência de longo prazo, mas com altos e baixos de um ano para outro.
O “tamanho” do buraco de ozônio não depende só da quantidade de compostos químicos destrutivos. Ele também é fortemente influenciado por condições atmosféricas, como:
• temperaturas muito baixas na estratosfera, que favorecem reações químicas que aceleram a perda de ozônio;
• vórtice polar antártico (um cinturão de ventos que “isola” o ar frio);
• presença de nuvens estratosféricas polares, que servem como “plataforma” para reações químicas destrutivas.
Em termos simples: mesmo com a tendência de recuperação, um ano com condições meteorológicas favoráveis pode ter um buraco menor; um ano com condições mais severas, maior.
Mesmo com a notícia positiva, pontos seguem relevantes:
1. Não é “problema resolvido”: recuperação não é instantânea e depende da manutenção das regras globais.
2. Fiscalização e emissões ilegais: qualquer retorno de substâncias proibidas pode atrasar a recuperação.
3. Interação com mudanças climáticas: alterações na estratosfera podem influenciar a dinâmica do vórtice polar e a química do ozônio, tornando o quadro mais complexo.
4. Monitoramento contínuo: dados de satélite e modelos atmosféricos precisam seguir acompanhando área, duração e intensidade do buraco.
O Copernicus também aponta que, entre 2020 e 2023, foram observados buracos relativamente grandes e duradouros. Já em 2024 e 2025, o padrão mudou: fechamento mais cedo e dimensões menores. O recado dos cientistas é que isso fortalece a esperança de uma restauração gradual, sem ignorar que oscilações anuais continuarão ocorrendo.









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